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Dependência econômica da Repar é pauta na revisão do Plano Diretor de Araucária

A Repar é o maior complexo industrial do Sul do Brasil e sua chegada representou um marco não só para a cidade, mas também para o estado do Paraná. Foto: Marco Charneski

 

EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO – 129 ANOS

Instalada em Araucária em 1972 a Refinaria Presidente Getúlio Vargas, a Repar, promoveu um crescimento acentuado no que diz respeito ao quadro populacional, econômico e social do município que passou a ter uma economia pautada prioritariamente na indústria e, em menor escala, nos serviços.

A instalação da Repar em terras araucarienses representou um marco não só para a cidade, mas também para o estado do Paraná. Quando chegou a Araucária, o município possuía cerca de 30 mil habitantes e atualmente já passa dos 130 mil habitantes.

A área onde está localizada a Repar é gigante, formada por mais de 10 milhões de metros quadrados. São tubulações quilométricas, tanques e torres com dezenas de metros de altura. A fumaça lá no alto das chaminés e de tochas que queimam o gás excedente podem ser vistos de vários pontos de Araucária.

A Repar é o maior complexo industrial do Sul do Brasil. A refinaria destina 85% dos seus produtos para o abastecimento do Paraná, Santa Catarina, sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. O excedente da produção total é destinado para outras regiões do país ou exportado.

O grande poder e a influência econômica da indústria no município é motivo de preocupação para técnicos e especialistas que estão revisando o Plano Diretor de Araucária. No ano passado quando a Petrobrás confirmou que planejava vender a maior parte da Repar, a notícia gerou apreensão no governo municipal.

De acordo com Fabrício de Lima Gomes de Melo, economista e diretor da Secretaria Municipal de Finanças, a refinaria é responsável por mais da metade do ICMS arrecadado no município, além de ser a maior empresa e a que mais gera valor agregado. “Precisamos reduzir a dependência da Repar. O município hoje é agente passivo diante de uma possível privatização. Não sabemos quais seriam os planos da empresa e como isso aconteceria, mas certamente geraria impacto”, garante.

Medidas para diminuir essa dependência já estavam sendo tomadas mesmo antes da notícia da privatização. Fabrício cita como exemplo algumas mudanças e modernizações que estão sendo realizadas e que contribuem para a atração de novas empresas. “Estamos apostando nos pequenos e médios empreendedores, eles são extremamente importantes nesse processo de desenvolvimento do município, geram empregos e renda. Fizemos parceria com o Sebrae para oferecer suporte a esses empreendedores e criamos o Espaço do Empreendedor. Aos poucos a cidade está crescendo, recebendo investimentos, mas isso é algo gradativo. Torcemos para que tenhamos tempo de equilibrar a questão econômica antes de uma possível privatização”, afirma.

No modelo que estava sendo proposto, a Petrobrás iria montar duas empresas, uma no Nordeste e outra no Sul, associando-se a compradores diferentes. Para cada bloco regional, a empresa venderia 60% da participação nas refinarias e, com isso, cederia o controle acionário. A possível venda gerou um clima de tensão e expectativa já que a maior parte do orçamento anual de Araucária vem das movimentações da Repar, além disso, uma cadeia de fornecedores e distribuidores está instalada na cidade devido à presença da refinaria.

Mas em julho do ano passado, para alívio, pelo menos provisoriamente de trabalhadores e da economia local, a Petrobrás anunciou a suspensão dos processos competitivos para formação de parcerias de refino, em razão de uma decisão cautelar do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que questionou dispositivos da Lei das Estatais.

“Um processo de privatização traz muita insegurança aos trabalhadores quanto a salários, direitos e condições de trabalho. Historicamente as privatizações trazem precarização da qualidade de trabalho reduzindo benefícios e aumentando carga de trabalho. Em todas as privatizações analisadas houve uma queda nos tributos arrecadados tanto em ICMS para o município onde está localizada a refinaria, e principalmente aos impostos ligados diretamente a serviços e sobre a folha de pagamento que sempre é enxugada nesses casos”, afirma Mário Dal Zot, presidente do Sindipetro PR e SC.

Para tentar evitar o impacto que uma privatização causaria, o município também está tomando outras medidas como a redução da alíquota do ISS, a facilidade e a agilidade para obter alvarás mais simples, passando de 45 dias para 24 horas, modernização da questão tributária e a desburocratização são alternativas para que Araucária possa incentivar a instalação de novas indústrias e fomentar o comércio local.

Na revisão do Plano Diretor de Araucária foi apontada a necessidade de o município ter um planejamento no sentido de estimular a instalação de novas empresas. “Hoje temos uma dependência da Repar porque a presença da refinaria impacta diretamente na arrecadação do município, mas quando construímos um Plano Diretor pensamos no futuro. Então temos que estar atento as tendências para prever o que pode acontecer na cidade.

Entre as possibilidades que estão sendo pensadas como uma alternativa econômica está a criação de uma zona de desenvolvimento tecnológico para incentivar outro ramo de empresas a investir na cidade”, conta Natália Cabrita, coordenadora do PDA.

“A revisão do plano diretor era algo pendente e que precisava acontecer. Com certeza isso irá fortalecer e muito o município. O plano traz tudo o que está sendo pensado é de extrema importância para o fortalecimento econômico do município através da instalação de novas empresas. Ou seja, tudo o que a administração precisa fazer, todas as medidas estão sendo tomadas, agora aguardamos os resultados que não vem na velocidade que desejamos, mas certamente virão”, finaliza o diretor da SMFI.

Texto: Danielle Peplov

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