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Gonçalo é o primeiro autista de Araucária a entrar para a faculdade

Gonçalo está empolgado em aprender mais sobre games. Foto: Everson Santos

 

Gonçalo Pires do Prado Neto tem 18 anos e acaba de ser aprovado em 1º lugar no curso de Jogos Digitais, na Universidade Positivo, que poderá transformá-lo em um profissional com competências necessárias para desenvolver produtos de entretenimento digital interativo dos mais diversos gêneros. Essa poderia ser apenas mais uma história entre milhares de outras sobre a vida de um jovem que está iniciando uma carreira, não fosse um detalhe importante: Gonçalo está dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Em uma estatística mais abrangente e recente, ele está entre os mais de oito milhões de alunos matriculados em universidades brasileiras, sendo 488 com TEA. Apesar da história de superação, Gonçalo ainda não iniciou seu curso, isso porque, conseguiu apenas uma bolsa de estudo de 50%, e nesse primeiro momento, a mãe não tem condições de bancar a faculdade do filho.

“Eu fiz uma solicitação ao reitor da Universidade Positivo pra que o Gonçalo consiga uma bolsa integral meritória, por ter sido o primeiro colocado no vestibular, assim como existem outros estudantes que se enquadraram nesse quesito e conseguiram bolsa 100%, mas ainda não obtive resposta. Meu filho também conseguiu uma bolsa de 57% em outra faculdade de Curitiba, com a nota que obteve no Enem, mas ele quer estudar na Positivo”, conta a mãe Sandra, que também é presidente da Associação Kasa do Autista de Araucária (AKA). Ela relata que já superou muitas dificuldades desde que o filho foi diagnosticado com autismo, em 2007, quanto tinha apenas 6 anos e iniciava a fase escolar. “Na época eu fiquei perdida, comecei a buscar informações, pesquisei na internet, queria saber mais sobre o autismo, mas nada era esclarecedor, até ouvir o relato de uma mãe, cujo filho tem autismo severo, comecei a seguir ela nas redes sociais e foi quando comecei a entender o que era TEA. Me aprofundei nos estudos, me especializei, pesquisei sobre direitos dos autistas, e então o Gonçalo começou a se desenvolver melhor. Hoje existe muita desinformação em torno do TEA, muito comércio envolvido com tratamentos e medicações que não dão resultado, e enquanto isso as mães acabam não tendo o suporte que precisam”, disse.

Sandra recorda que o filho não ia bem na escola, os profissionais não sabiam lidar com a condição dele, até que quando Gonçalo estava na 7ª série ela ameaçou tirar ele da escola, explicou a situação ao Conselho Tutelar, e foi então que as providências começaram a ser tomadas e um profissional preparado passou a acompanhá-lo em sala de aula. “As escolas precisam incluir as famílias no processo de inclusão, só assim vai acontecer, em todos os lugares no mundo a tríade saúde, escola e familiares tem que fazer parte da equipe multidisciplinar”, observou.

Quanto a Gonçalo, é perceptível o seu desenvolvimento e sua felicidade ao saber que vai entrar para a faculdade, principalmente em um curso que sempre se interessou. “Gosto muito de filmes, de jogos, acompanho os lançamentos, acho que o curso vai ser muito legal, por estar dentro da minha área”, disse o jovem.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1154 – 14/03/2019

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