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Horas extras “estranhas” acendem sirene na SMSA

Desde que Araucária passou a contar com um serviço especializado de remoção de pacientes em estado de urgência e emergência, o popular SAMU, o trabalho da Central de Ambulâncias do Município foi reduzido a basicamente o que se chama de transporte social. Ou seja: levar aquele paciente acamado para a realização de um exame e coisas do tipo. Isso, no entanto, não diminuiu o custo do setor para os cofres municipais. Para se ter uma ideia, só de salários diretos aos motoristas que atuam no setor, a Prefeitura pagou em março R$ 205 mil (veja tabela com o valor pago de salário aos motoristas lotados na Central de Ambulâncias). Agora, multiplique-se isso por doze, acrescente os encargos trabalhistas, décimo terceiro, férias e pronto: temos alguns milhões de reais sendo gastos anualmente ali.


Para piorar a situação, a desconfiança agora é a de que boa parte do que vem sendo pago de salários aos 41 motoristas que trabalham na Central de Ambulância poderia ser economizado com uma medida simples: organização das escalas de trabalho e uma fiscalização mais intensa das horas-extras que vem sendo pagas. Dentro da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) acredita-se que boa parte dessas extras são desnecessárias e algumas delas sequer são feitas, o que configuraria uma ilicitude.

A denúncia de que uma verdadeira máfia das horas extras teria se instalado dentro da Central de Ambulâncias teria partido de outros motoristas da própria Secretaria de Saúde, que em outra administração teriam se beneficiado do mesmo esquema e agora, alijados dele, resolveram denunciá-lo. O caso, inclusive, já teria sido comunicado ao Ministério Público local.

Dentro da SMSA, a informação de que recursos públicos poderiam estar sendo desviados na forma de horas-extras não trabalhadas acendeu a sirene do comando da pasta. A diretora geral do órgão, Vanessa Alcantara de Oliveira, confirmou que tem conhecimento da denúncia e que uma sindicância para averiguar o caso será instalada. Ela disse ainda que mudanças no departamento e na forma como as escalas são organizadas estão sendo estudadas.

Fazendo as contas
Para se ter uma ideia de como pode sim existir caroço neste angu basta que façamos uma conta simples. Hoje, há 41 motoristas lotados na Central de Ambulâncias, os quais têm que cumprir quarenta horas semanais de trabalho. Ou seja, se todos que estão cotados neste setor estiverem trabalhando, temos ali 1.640 horas semanais de motoristas à disposição. Como eles trabalham em jornadas de doze horas, ao dividir 1640 por doze temos a possibilidade de termos 136 plantões por semana. Dividindo isso peos sete dias da semana, é possível ter 19 plantonistas por dia, o que seria suficiente para termos nove motoristas trabalhando por dia e nove a noite e ainda sobraria um para fazer o cafezinho. O número, diga-se de passagem, é bem maior até do que a quantidade de ambulâncias disponíveis na Prefeitura. Detalhe: a escala acima seria feita sem que a SMSA pagasse um centavo que fosse de hora-extra.

Tudo certo
Coordenador da Central de Ambulância, Altevir Martins Rodrigues, o popular Altevir da Ambulância, garante que, apesar das evidências, não há qualquer irregularidade no setor e que todas as horas extras feitas são sim necessárias. Ele garante, inclusive, que todos os cartões comprovando o trabalho executado estão à disposição para quem quiser que seja. “Por conta da nossa escala, é impossível que os motoristas não façam horas extras. Essa denúncia tem motivação política”, argumentou.

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