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Ao matar avô, neto estaria em surto psicótico

O autor não fugiu do local do crime e confessou o homicídio em depoimento na Delegacia de Araucária. Foto: Marco Charneski


 

Eduardo Alves Câmara, 19 anos, matou o avô, Valério Câmara, 78 anos, a facadas na última quinta-feira, 25 de outubro, por volta das 13h. De acordo com o advogado de defesa, Eduardo tem problemas mentais e teria sofrido um surto psicótico no momento do homicídio.
O crime aconteceu no apartamento em que o senhor Valério morava com o neto, na rua Alfredo Parodi, no centro de Araucária. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos, após ouvirem gritos. Quando os policiais chegaram ao local, constataram a vítima já em óbito e Eduardo com uma faca nas mãos tentando se suicidar.

O neto relatou à polícia que teve um desentendimento com o avô por conta da pensão de mil reais que recebia da mãe. Segundo Eduardo, no momento da briga, o avô teria tentado lhe desferir um golpe com a faca, momento em que o neto entrou em luta corporal e conseguiu pegar a faca golpeando o avô mais de 40 vezes.

Como Eduardo estava com um corte na mão, foi conduzido à Unidade de Pronto Atendimento e depois à Delegacia de Polícia Civil de Araucária, onde novamente repetiu a versão. Ele foi preso, já passou por audiência de custódia e segue na carceragem local, em cela isolada dos demais detentos, aguardando liberação de vaga no Complexo Médico Penal.

O QUE DIZ A DEFESA

O advogado que está defendendo Eduardo informou que ele sofre de problemas mentais e que desde abril deste ano faz uso de medicação antidepressiva, para esquizofrenia e combate à agressividade. Ainda, foram anexados aos autos do processo declarações do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) afirmando que Eduardo estava em acompanhamento psiquiátrico regular.

Relatórios de avaliação psicológica, feitos no fim do ano passado, apontam a insanidade mental do autor. De acordo com os documentos, Eduardo alegava que tinha o poder de telepatia e que ouvia vozes que o instruíam como ele deveria agir. Ele ainda afirmava, segundo o relatório feito por profissional da área, que teria vindo de Crypton, terra do Super-Homem, para conquistar o mundo.

Sobre a personalidade de Eduardo, foram declarados traços de atitude defensiva, comportamento esquizoide, ansiedade, falta de orientação com a realidade, transtorno obsessivo compulsivo, tendências agressivas, evidências de psicopatologias, paranoias, entre outros distúrbios.

FATOS APONTADOS

“Trata-se de uma situação atípica, onde não existia intenção criminosa nem motivo para o crime. É fato que o ocorrido é muito grave e indefensável, porém, pelas características do crime, são necessários alguns apontamentos: primeiramente que um neto matou o avô dentro de casa, na hora do almoço. Ele não fugiu do local do crime, e, quando caiu em si, após terminar a sucessão de facadas, foi pedir ajuda a um vizinho (conforme relato testemunhal). Depois, confessou o crime à polícia e até o momento aparenta estar ‘em choque’. Ainda, sabemos que não cabe legítima defesa, porque esta se daria com uma ou duas facadas. Mas o fato se deu com muitos golpes e o Eduardo relatou em depoimento que sofreu ‘apagões’, sem recordar-se de detalhes do crime”, explicou o advogado. Segundo ele, a família está devastada, mas não pensa em abandonar ou se vingar de Eduardo, pois entende a situação delicada e problemas mentais já apontados anteriormente.

O advogado comentou que teme pela vida de Eduardo. “Ele está em local separado, seguro da carceragem. Porém, é possível que quando caia a ficha do que realmente aconteceu, ele tente tirar a própria vida”, destacou.

Conforme o que a defesa disse, é necessário esclarecer algumas questões para “não transformar uma pessoa doente em um monstro”. “O crime foi brutal, mas não houve intenção, nem premeditação. O que existe é uma doença, como já foi comprovado. O Eduardo nunca havia apresentado comportamento agressivo, mas há a hipótese de que ele pudesse estar sem tomar corretamente a medicação e, por isso, um momento de estresse causado pelo desentendimento com o avô pode ter sido o gatilho para o homicídio”, indicou o advogado.

Vizinhos comentaram na DP que viram, antes do crime acontecer, Eduardo caminhando por horas no estacionamento do condomínio. Há também depoimentos de que ele tinha um comportamento introspectivo.

Ainda, no dia anterior, Eduardo e o avô teriam sido vistos tomando café juntos em cafeteria da cidade. “Eles se davam bem, conviviam normalmente. Mas, o avô provavelmente fez algumas cobranças ao neto, sobre a forma como ele gastava o dinheiro da pensão. Isto deve ter sido o estopim do fato criminoso”, afirmou o advogado, declarando que não há a certeza de que o avô tenha vindo para cima do neto. “O Eduardo pode ter alucinado, visto que se desloca da realidade. Após a primeira facada, pode ter entrado no ‘modo automático’ e depois que viu o que tinha feito, já era tarde demais”, observou.

Publicado na edição 1137 – 01/11/18

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