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Araucarienses são lesados no “golpe”do financiamento de carros

Empresas de Araucária e Curitiba estão sendo monitoradas pela DP. Foto: Everson Santos


 

A Delegacia de Polícia Civil de Araucária abriu inquérito para investigar algumas lojas e uma financeira que estariam usando nome de terceiros, sem a aprovação prévia destas pessoas, para financiar veículos. O inquérito por estelionato e associação criminosa está investigando lojas de revenda de veículos usados em Araucária e Curitiba.

Uma das vítimas que é moradora de Araucária teve um veículo da marca Mercedes financiado em seu nome por uma loja em Curitiba. “O carro foi financiado em setembro de 2017 e em novembro descobri que estavam usando meu nome indevidamente. Uma loja de Curitiba me ligou avisando que havia um cartão em meu nome, mas fui até o estabelecimento e a empresa identificou a fraude, cancelando a compra. Depois disso, fiquei em alerta se apareceriam outras situações e no começo deste ano soube que novamente usaram meu nome, mas desta vez para um financiamento em alto valor”, contou a vítima.

Segundo ela, o banco, da qual é correntista, enviou uma carta avisando que havia pendências em seu nome e que ela deveria regularizar a situação para não perder o crédito bancário. “Ao receber a carta, estranhei e fui até o banco. Lá vi que havia uma dívida no Serasa de R$ 76 mil em meu nome, fato que eu nem imaginava do que seria”, disse. Já no Serasa ela soube qual instituição financeira havia feito o financiamento do carro. “Todo o processo foi feito sem meu conhecimento nem minha autorização. Inclusive, nem sei quem fez e nunca fui na tal loja que revende carros”, apontou.

A vítima relatou ainda que o valor do veículo financiado não poderia nem ser liberado em seu nome, pelo salário que ela ganha e mesmo porque já paga outro financiamento de casa. “Fui também ao Detran, onde soube que fizeram uma carteira de habilitação falsa com meu nome, copiaram os dados e mudaram a assinatura. Registrei boletim de ocorrência e acionei a Justiça. Agora, o processo está correndo para tentarmos descobrir quem fez isso”, disse, complementando que desde setembro até agora seu nome já foi usado de várias maneiras, para aluguel de carro, telefone, internet, entre outros. “As situações envolvendo valores menores são mais fáceis de resolver, mas a do carro está sendo pior. No Detran, vi o processo completo, feito por despachante, com assinatura reconhecida em cartório. Quem fez, fez muito bem, coisa de ‘profissional do crime”, afirmou.

INVESTIGAÇÃO

A DP de Araucária, após três boletins de ocorrência registrados com o mesmo tipo de “golpe”, abriu inquérito para investigar a situação e há poucos dias realizou uma operação de busca e apreensão em Curitiba, em lojas citadas pelas vítimas de Araucária. Foram apreendidos documentos e computadores.

“Moradores de Araucária tiveram seus nomes usados em lojas de Curitiba ou outros em municípios do interior. Já moradores de outras cidades tiveram seus nomes usados por lojas de Araucária. Isso é feito para dificultar a investigação, visto o tempo desprendido até a vítima saber que teve seu nome usado indevidamente, registrar o B.O. a as investigações terem início”, comentou o superintendente da DP local, Rosaldo Dias.
Conforme ele declarou, dificilmente o lojista e representante financeiro não sabe da situação, pois são estas pessoas que intermediam a venda. “Tudo depende da conivência ou negligência dos vendedores. Quanto à empresa de financiamentos de veículos, até o momento foi identificada a mesma em todas essas ocorrências registradas”, relatou.

Segundo o superintendente, outras lojas, tanto em Araucária quanto Curitiba e região metropolitana, estão sendo monitoradas. As outras vítimas moradoras de Araucária também tiveram veículos de alto valor financiados em seus nomes e também descobriram a situação quando foram cobradas pelo banco. Os carros em questão estão com bloqueio administrativo e assim que forem localizados deverão ser recolhidos ao pátio da delegacia.

Publicado na edição 1134 – 11/10/18

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