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Bandidão era o alvo da execução


O carro ficou crivado de balas e os dois não tiveram chance

O carro ficou crivado de balas e os dois não tiveram chance

Vizinhos do ginásio Joval de Paula Souza, no Parque Cachoeira, ain­da estão assustados por conta da morte de dois homens no sábado, dia 7 de maio. A cena, uma exe­cução cruel e sangrenta, chamou a atenção pela quantidade de tiros disparados.

Era por volta de 22h quando Adelmo Martins de Souza, 30 anos, parou seu Fiat Siena, bem na frente do portão do ginásio, na rua Ceará. No banco do passageiro estava seu cunhado, Ale­xandro de Souza, 28 anos.

Na hora não havia ninguém por perto e eles esperaram um pouco, como se houvessem marcado um encontro com alguém. Poucos minutos depois um VW Voyage prata, placas AWT-5517, parou do lado esquerdo do carro e seus ocupantes saíram rapidamente do veículo. A partir daí as informações são desencontradas. Testemunhas dizem que eram três homens. Outras dizem ser apenas dois. O fato é que eles começaram a atirar sem dó nos ocupantes do Siena, que ainda estavam no interior do carro e não tiveram como se defender. Foram muitos tiros atingindo o lado esquerdo do Fiat. Segundo o delegado João Marcelo Renk Chagas, o fato de não ter sangue nos bancos do carro indica que tanto Adelmo quanto Alexandro conseguiram sair do carro pelo lado direito ainda quando os disparos estavam sendo efetuados, na tentativa de fugir das balas. Saíram mas não conseguiram escapar de seus algozes. Os dois foram atingidos e acabaram morrendo ali mesmo, ao lado do carro. “Alexandro levou dois tiros no peito, talvez na hora em que estava tentando se esconder ao lado do carro, depois de sair. Mas Adelmo levou muitos. Também conseguiu sair do carro, mas os matadores devem tê-lo alcançado e terminado o serviço na calçada com mais de dez tiros pelo corpo, sendo que só na cabeça havia seis ferimentos de bala”, detalha o delegado. A quantidade exata só será conhecida após a necrópsia dos corpos.

Em seguida os atiradores fugiram em direção ao bairro São Miguel. Pararam na avenida Centenário, e atearam fogo no Voyage. A placa indica que o veículo é da cidade de Maringá, mas foi tomado de assalto em Curitiba. Pouco depois, no local do crime, havia pessoas afirmando que uma moto também teria participado da ação, dando cobertura aos atiradores.

Alexandro não tinha passagem

Alexandro não tinha passagem

Ficha bem suja
Adelmo foi preso várias vezes e era tido como extremamente perigoso

Adelmo foi preso várias vezes e era tido como extremamente perigoso

O delegado João Marcelo já começou a investigar na própria cena do crime e disse que ainda está levantando informações sobre os envolvidos para poder traçar uma estratégia na tentativa de descobrir os autores. O que ele já sabe é que foram usadas pelo menos duas armas, de calibres .40 e 9 milímetros. Esta última pode ser uma metralhadora. A tese de ter sido usada uma arma deste porte existe porque vizinhos afirmaram ter ouvido rajadas e também pela posição dos mais de trinta tiros na lataria e vidros do carro.

Também está sendo trabalhada a tese de que o crime possa ter sido uma vingança ou mesmo um acerto de contas por conta de dívida de drogas. João Marcelo disse que Adelmo tinha uma extensa ficha criminal, foi preso, foragido, preso de novo e, por último estava cumprindo pena, mas tinha saído há alguns dias em liberdade condicional. No cadastro da Secretaria de Segurança existe sete mandados de prisão contra ele revogados, possivelmente por ele ter conseguido a condicional. Ele é acusado de ter participado na morte do empresário Jacir Medeiros Santos, de 36 anos, em setembro de 2010 e de ter sido, na ocasião, o chefe de uma perigosa quadrilha que cometia assaltos. Também existe a suspeita de que ele tenha participado em uma chacina no jardim Arvoredo e em mais outro homicídio, além de muitas prisões por roubos e tráfico de drogas. “Sem sombra de dúvidas o alvo era mesmo Adelmo. O Alexandro deve ter morrido de graça na história, mas não era tão santo assim, como as pessoas estão falando”, afirma o delegado. Ele diz isso porque, embora Alexandro não tenha ficha na polícia, na hora em que o pessoal do Instituto de Criminalística foi fazer o levantamento da cena do crime, havia uma arma em sua cintura, que caiu na hora em que o corpo foi virado. “Era uma pistola 765. Estava carregada, mas ainda travada. Acredito que a ação dos assassinos foi tão rápida que nem deu tempo de usar a arma para se defender. Mas quero saber se ele, que não tem nenhum problema com a justiça, porque estavam portando a arma naquela situação?”, questiona. “No mínimo eles sabiam que estava indo para um encontro perigoso”, finaliza o policial.

Texto: Carlos do Valle / FOTO: carlos do valle / divulgação / SESP

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