Home / Notícias / Política / Audiências da fase Vida Fácil da operação Sinecuras serão no início de outubro

Audiências da fase Vida Fácil da operação Sinecuras serão no início de outubro

Segundo MP, terreno “nobre” no Gralha Azul foi trocado por áreas ocupadas por posseiros no Capela Velha

 

A nova juíza titular da Vara Criminal de Araucária, Debora Cassiano Redmond, agendou para outubro a audiência de instrução e julgamento da fase Vida Fácil da operação Sinecuras, deflagrada em 5 de abril passado.

Nesta fase, são oito os réus que, segundo o Ministério Público de Araucária, participaram ou se beneficiaram de uma permuta fraudulenta feita entre a Companhia de Habitação de Araucária (Cohab) e a D. Borcath Incorporadora Ltda, isto durante a gestão do ex-prefeito Olizandro José Ferreira (MDB).

Além do ex-prefeito, também são réus o então diretor-presidente da Cohab à época, João Caetano Saliba Oliveira; a funcionária concursada da Prefeitura, Cassimar Teresinha de Souza Collodel; o dono da incorporadora, Douglas Horn Borcath Junior; o empresário e ex-secretário de Estado, Edson Luiz Casagrande; Gustavo Luiz Selig; o advogado André Felipe Denig Bandeira e seu irmão e também advogado, Túlio Marcelo Denig Bandeira.

De acordo com despacho da magistrada, tornado público nesta terça-feira, 31 de julho, as audiências acontecerão de 1º a 5 de outubro próximo. Nos dias 1º e 2 serão ouvidas as testemunhas de acusação, arroladas pelo Ministério Público. Nos dias 3 e 4 acontece a oitiva das testemunhas indicadas pelos oito réus e, caso haja tempo, no próprio dia 4 se inicia o interrogatório dos acusados, os quais serão concluídos no dia seguinte (5).

Concluída esta etapa, e não havendo outras diligências deferidas, a juíza pode sentenciar o processo ao final dos interrogatórios. Tal possibilidade, no entanto, é remota. O mais provável é mesmo que seja aberto prazo para que acusação e defesa façam suas alegações finais no prazo de até dez dias.

Em seguida, o processo retorna à magistrada para sentença. Logo, se não houverem imprevistos, a expectativa é que esta ação penal esteja concluída em primeira instância até o final de novembro.

Como funcionou o esquema?

De acordo com a acusação do MP, a permuta fraudulenta se deu da seguinte forma: a Cohab deu um terreno que possui na rua Carlos Vicente Zapxon, no jardim Gralha Azul. Em troca, receberia da A D. Borcath Incorporadora sete áreas na região do bairro Capela Velha. Acontece que estes imóveis estariam ocupados e/ou não seriam indicadas para a construção de moradias.

De acordo com um dos réus, Caetano Saliba, que firmou acordo de colaboração premiada com o MP, a permuta fraudulenta gerou dividendos ilícitos para ele, Olizandro e Cassimar Collodel. O primeiro recebeu de propina um apartamento de R$ 1 milhão e mais a promessa de que ficaria com 25 dos mais de 500 apartamentos que seriam construídos pela D. Borcath no terreno do Gralha Azul. Já Olizandro recebeu R$ 600 mil, parte em dólares e outra parte por meio de um apartamento no condomínio Easy Life, na Silva Jardim, em Curitiba. Já Cassimar levou R$ 90 mil.

Especificamente com relação a Túlio, Casagrande e André, no entanto, a participação no esquema teria se dado, digamos assim, de maneira indireta. Acontece que eles teriam recebido um apartamento do ex-prefeito Olizandro José Ferreira (MDB) como pagamento de uma dívida de R$ 200 mil contraída durante a campanha eleitoral de 2012 (quando Olizandro foi candidato). De acordo com o MP, corroborado com declaração Caetano, naquela campanha, Casagrande e Túlio teriam dado R$ 700 mil para ajudar a eleger Olizandro. Em troca, ficariam com o direito de “comandar” o setor de informática da Prefeitura. Desta grana, R$ 200 mil foram entregues a Caetano mediante a assinatura de uma nota promissória.

Acontece que uma vez eleito, Olizandro não teria cumprido a parte dele no acordo, o que fez com que Casagrande e Túlio executassem a nota promissória. Caetano então reclamou com o ex-prefeito. Este então teria resolvido dar o apartamento que, segundo o MP, ele recebeu como propina da permuta de terreno entre a D. Borcath e a Cohab para saldar a dívida. A transferência do imóvel foi feita diretamente a André, que é irmão de Túlio.

Já no que diz respeito a participação de Gustavo, ela se deu quando ele aceitou simular, segundo o MP, dever R$ 300 mil para Caetano. Tudo para justificar a transferência de um apartamento para o nome do ex-braço direito de Olizandro, sendo que tal imóvel seria na verdade o pagamento da propina da D. Borcath por conta da permuta fraudulenta.

Texto: Waldiclei Barboza

Foto: Everson Santos

Publicado na edição 1124 – 02/08/18

Sobre Redação

Redação

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos marcados com * são obrigatórios *

*