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“Devolvi R$ 400 mil”, afirma dono do “alqueire de ouro”

Codar comprou a área, localizada às margens da PR-423, que liga Araucária a Campo Largo em 2016, porém – segundo o MP – tratativas
para levantar dinheiro com a aquisição começaram bem antes

 

 

Ao longo de toda a semana passada foi realizada no Fórum de Araucária a audiência de instrução e julgamento da fase Alqueire de Ouro da operação Sinecuras, deflagrada em abril deste ano e que apura eventual superfaturamento na compra de um terreno feito pela Companhia de Desenvolvimento de Araucária (Codar) no ano de 2016.

A oitiva das testemunhas, tanto as arroladas pelo Ministério Público, quanto pela defesa dos réus, aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de agosto. Nos dias 30 e 31 foi a vez dos nove acusados contarem a sua versão dos fatos narrados pelos promotores da Sinecuras na denúncia.

Antigo dono

Dos depoimentos prestados, o que mais chamou a atenção foi o de Dorivaldo Domingues de Souza, que era o proprietário do terreno de um alqueire que fica às margens da PR-423, na localidade de Taquarova. Durante quase duas horas, ele respondeu as perguntas formuladas pelo juiz André Doi Antunes, que conduziu a audiência, bem como as feitas pelo MP e pelos advogados da defesa.

R$ 400 mil

Dorivaldo voltou a afirmar em audiência o que já havia dito aos promotores quando da deflagração da fase Alqueire de Ouro. Ou seja, que – na verdade – o valor recebido por ele pelo imóvel foi R$ 1.440.000,00. A diferença de R$ 400 mil que falta para fechar o total de R$ 1.840.000,00 que efetivamente saiu dos cofres públicos para pagamento do terreno, ele devolveu a, contou, Ivone Gross de Lima e Sebastião Henrique de Melo, o Kennedy, que são os corretores que intermediaram o negócio.

Embora a grana tenha sido entregue a Kennedy e Ivone, o então proprietário do terreno disse que combinou a devolução dos R$ 400 mil diretamente com o diretor-presidente da Codar, Marco Antonio Ozório.

Em seu depoimento, Dorivaldo disse que não é de Araucária e que havia comprado o terreno anos antes porque queria instalar ali uma empresa. Porém, como teve problemas com um provável sócio no negócio, o projeto não avançou. Anos depois, contou, muito embora a venda do alqueire não tivesse anunciada publicamente, ele foi procurado por Ivone. Ela afirmou que havia um interessado no imóvel, mas não teria dito quem.

Posteriormente, Dorivaldo teria vindo a cidade e sido levado por Ivone para conversar com Marco Ozório. Ali foi negociado o valor do imóvel. De uma das reuniões também participou Fernanda Karas, então diretora técnica da Codar, que foi quem falou do tal projeto que a companhia queria implantar no imóvel.

Não sabia

Dorivaldo acrescentou ainda que quando do acerto do valor não foi lhe dito que a Codar era uma empresa pública e nem batido o martelo com relação a efetivação da venda. Passado mais um período, relatou, ele recebeu uma ligação de Marco Ozório questionando-o se, caso fosse viabilizado um valor superior ao que ele havia pedido, existiria a possibilidade dele devolver a título de bônus ou algo assim. Ele topou.

Na versão de Dorivaldo, porém, ele seguia não sabendo que a Codar era uma empresa pública. Também afirmou ter pesado que o dinheiro que ele devolveria seria utilizado para o custeio de projetos ou algo assim necessários para efetivação da tal incubadora de empresas no terreno.

Dorivaldo afirmou ainda que voltou a Araucária somente quando chegou a hora de ir ao Cartório de Registro de Imóveis assinar a papelada para transferência do imóvel. Nesta oportunidade, Marco Ozório lhe abordou e disse que precisaria que a tal de devolução dos R$ 400 mil precisaria ser feita em dinheiro vivo. Apesar de ter achado a estória meio estranha, alega, nem assim desconfiou de que o dinheiro se tratava de propina.

Em Maringá

O antigo dono do imóvel acrescentou ainda que, tão logo confirmou que o dinheiro caiu em sua conta, transferiu pouco mais de R$ 40 mil para cada um dos corretores e, como estava em Maringá, onde possuía negócios, organizou a engenharia para sacar os R$ 400 mil em espécie. Fez então a programação dos saques em dois bancos onde possuía conta e ligou para Ivone. Ela e Kennedy foram até a Cidade Canção. Kennedy teria ficado esperando no carro e Ivone entrado com ele nas duas agências, sendo que o dinheiro foi colocado diretamente na bolsa da corretora.

Ainda conforme Dorivaldo, a destinação específica de como foi (se foi) repartido o dinheiro, ele não sabe. É bom destacar que são réus neste processo dois ex-prefeitos: Olizandro José Ferreira e Rui Sérgio Alves de Souza. Três ex-diretores da Codar: Marco Antonio Ozório, Fernanda Karas e Beatriz de Oliveira Magalhães. Dois corretores de imóveis da cidade: Ivone Gross de Lima e Sebastião Henrique de Melo, o Kennedy. E, finalmente, o casal proprietário do imóvel: Dorivaldo Domingues de Souza e Rosemary Minelli de Souza.

Próximas etapas

Terminada a audiência de instrução, o magistrado que conduziu os trabalhos abriu prazo de dois dias para que Ministério Público e a defesa dos réus façam requerimentos que julgarem necessários. O prazo termina esta semana. Como ainda não se sabe quais requerimentos serão feitos e nem se o juiz os deferirá, não é possível saber quando finalmente esta ação penal será sentenciada. A expectativa, porém, é que isso aconteça ainda este ano.

Texto: Waldiclei Barboza

Foto: Marco Charneski

Publicado na edição 1129 – 06/09/18

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