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O que acontece com Araucária se a Repar for vendida?


Refinaria Presidente Getúlio Vargas é responsável por 12% da produção nacional de derivados de petróleo. Foto: Marco Charneski

 

Desde que, em abril do ano passado, a Petrobras anunciou sua intenção de privatizar algumas de suas refinarias, o alerta se acendeu nas cidades em que elas estão instaladas. Isto porque, como se sabe, nesses locais, invariavelmente, é ela o principal motor econômico da região.

Em Araucária não é diferente. Afinal, o ICMS pago pela Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) ultrapassa a casa dos bilhões anualmente. Deste total, parte retorna à Prefeitura e faz com que a cidade tenha a segunda maior cota de participação do bolo global repassado pelo Governo do Estado aos 399 municípios paranaenses. Este ano, por exemplo, a previsão é que recebamos R$ 505 milhões só deste imposto, mais da metade de toda a nossa arrecadação.

Só para se ter uma ideia do tamanho da Repar para a economia local, hoje Araucária possui a maior parque industrial do Paraná. A expectativa é que a nossa geração de impostos alcance em 2019 a cifra de R$ 18,7 bilhões, sendo que deste montante a refinaria responderia por algo em torno de 67%. O segundo maior contribuinte individual vem bem lá atrás, com 3,47 do bolo, é a Petrobras Distribuidora S.A., que como o próprio nome indica, também pertence à estatal. A empresa privada melhor colocada é a Berneck S.A, responsável por 1,71% da geração de ICMS na cidade.

A economia Araucária é tão pujante única e exclusivamente por conta da refinaria e da cadeia que dela se deriva. São essas empresas que fazem do nosso parque industrial maior até do que o da capital do Estado, que, em 2019, deve gerar “apenas” R$ 13,5 bilhões de ICMS aos cofres estaduais. Antes que alguém pergunte, a gente explica porque, se nossas indústrias geram mais riqueza, recebemos menos cotas de ICMS do que Curitiba. Isto acontece em razão do valor adicionado do comércio curitibano, que alcança R$ 24 bilhões contra “míseros” R$ 4,7 bilhões nossos. Assim, no final das contas, a capital deve receber algo em torno de R$ 780 milhões de repasse contra os R$ 505 milhões de Araucária.

É justamente por conta dessa dependência crônica que o custeio dos serviços públicos municipais tem da riqueza gerada pela Repar que qualquer mudança na refinaria deveria deixar todo araucariense “espiado”. A proposta inicial divulgada pela Petrobras ao mercado financeiro no ano passado era dividir parte de suas refinarias em dois blocos: Nordeste e Sul. Neste segundo estaria, a nossa Repar e a Refap (Refinaria Alberto Pasqualini), em Canoas/RS. Juntas, elas são responsáveis por 18% da capacidade de refino do país.

O plano original, no entanto, previa que a Petrobras não iria se desfazer totalmente da empresa que se formaria do bloco Sul. A intenção era formar uma companhia em que a estatal teria 40% das ações e a iniciativa privada outros 60%.

Na semana passada, porém, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou no Diário Oficial da União nova resolução sobre o assunto. No documento, ficou estabelecido que a Petrobras não poderá manter participação acionária minoritária nas empresas que se formarão dessas vendas. Ou seja, o plano original de a estatal manter 40% dos ativos foi por água abaixo.

Esta semana, inclusive, em reportagem veiculada pelo jornal Gazeta do Povo, com base em informações obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo e a agência Folhapress, a estatal informou que já prepara um modelo de demissão e realocação de funcionários, bem como já tem regras para os compradores interessados nas refinarias. Ainda conforme a reportagem, a venda dos ativos já foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras há duas semanas.

A consequência de uma privatização completa da unidade araucariense pode ser um ponto positivo para a cidade. Pelo menos em termos de geração de impostos. Isso porque não é de se pressupor que a iniciativa privada vá adquirir uma refinaria do porte da Repar para não fazê-la funcionar em sua plenitude. Logo, quanto mais a empresa produzir, mais impostos serão gerados.

Já no que diz respeito ao futuro dos 700 funcionários concursados da Repar, a estatização completa não é boa. Inclusive, de acordo com informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo no último sábado (11), já houve um comunicado interno da diretora de Refino e Gás da Petrobras, Anelise Lara, aos funcionários, pontuando que a transferência das refinarias à iniciativa privada será concluída em 2021. A executiva aponta que, aos empregados das unidades, a empresa oferecerá um “cardápio de opções”, que inclui o programa de desligamento voluntário (PDV) já em curso em algumas delas e a realocação interna, se houver interesse da companhia.

Também não é possível calcular quais seriam os impactos do desligamento ou a migração desses 700 funcionários da Repar para a economia local, seja no que diz respeito a efeitos sociais (desemprego, sobrecarga do sistema de saúde e coisas do gênero) ou mesmo no comércio local (compras feitas por esses trabalhadores dentro de Araucária). Isto porque não há dados concretos de qual seria a porcentagem dessas pessoas que efetivamente residem em nossa cidade e quantas moram em Curitiba e outros locais da RMC.

Texto: Waldiclei Barboza

Publicado na edição 1163 – 16/05/2019

Sobre Redação

Redação

24 comments

  1. Se com toda a grana que tem agora os políticos só fazem caca na cidade, imagina se cortarem…

    Da-lhe fiscalzada do Finanças pra trabalhar!

  2. Uma coisa que leio e não consigo entender: por qual motivo alguém compraria uma refinaria de petróleo pagando bilhões e não faria o refino dessa matéria prima? É óbvio que se alguém comprar vai colocar pra funcionar… ou vão aproveitar uma oferta de ocasião e deixar o negócio parado?

  3. Uma das vantagens da internet é a possibilidade das pessoas se expressarem “livremente”. Talvez ajude ao leitor Marcelo e aos demais que lerem o seu comentário, alertar que o petróleo é uma das principais comodities mundiais – senão for a maior – e que tem uma grande importância na geopolítica do poder. Se for do interesse dos futuros proprietários das nossas refinarias, fechá-las e obrigar-nos a importar combustíveis, certamente o farão. Isso em nome do maior lucro possível e da influência no destino das nações satélites das grandes potências. O petróleo tem sido o motivo explícito ou camuflado de muitas guerras nestes tempos modernos. Ler, estudar e informar-se é fundamental para não sermos facilmente manipulados.

    • Esse seu comentário em boa parte serve para voce também que ainda não percebeu o elefante branco que é essa refinaria que só serve para lavar dinheiro de político e empregar 100 pessoas no posto de trabalho que cabe 01. Tem que acabar com essa gordura mesmo já que pra quem paga a conta não funciona. Gasolina cara do lado da refinaria, quem defende isso ou é político ou é petroleiro, nem importando gasolina de Dubay se pagaria 4 reais no litro que pagamos hoje em dia…

  4. O que acontece com Araucária se a Repar for vendida?

    Araucária acaba

  5. Não é “estatização” da refinaria. O correto é “privatização”. O termo está empregado de forma totalmente errada no artigo.

  6. Esse “dinheiro” todo que Araucária recebe sinceramente os araucarienses nunca viram a cor. Uma cidade com tanto dinheiro que perde pra foz do Iguaçu, Cascavel, Maringa, Londrina, Umuarama, Toledo, pato branco, Paranavaí…Os únicos que sentirão alguma falta são os petroleiros que terão que trabalhar igual nos dá iniciativa privada com objetivos, metas e sem gordura na folha de pagamento. Araucária é uma cidade onde a maioria da classe média que tem seus filhos nascidos em Curitiba porque o hospital não atende plano de saúde e isso vale pra tudo. Tirando os corruptos e os petroleiros, não fará diferença nenhuma, nunca foi investido qualquer coisa aqui pra cidade…

  7. O debate de ideias pode ser interessante, desde que as pessoas evitem de usar a discussão para verter o ódio de não ter conseguido passar em um concurso e não ter sequer a possibilidade de reivindicar melhores condições de trabalho para não perder o emprego. Propor a redução de privilégios no serviço público e nas estatais é um direito e um dever de todo cidadão consciente, para que os recursos disponíveis atendam realmente a população. Esse é um tema produtivo, desde que se deixe a frustração e o rancor de lado. Agora, afirmar que a Petrobras é ineficiente, é puro achismo de quem não conhece um mínimo da cadeia do petróleo. O abastecimento de combustíveis é vital para a organização de qualquer nação moderna. Quem viveu ou estudou a história sabe que o Brasil somente foi abastecido adequadamente de petróleo e de seus derivados após a criação da estatal Petrobras no governo Getúlio Vargas. Pensar que a STATOIL, a empresa estatal norueguesa que arrematou vários lotes do Pré-sal- ou qualquer outra empresa estrangeira, estatal ou privada, praticamente as únicas que poderão adquirir as refinarias, depois que o combate cego a corrupção representado pela lavajato destruiu a engenharia pesada nacional, sob os aplausos dos incautos ou dos mal-intencionados que querem o fim do Brasil-Nação para torná-lo um satélite do grande irmão do norte é a prova cabal de que o cidadão se enquadra em uma das categorias listadas acima. É muito útil aprofundar-se sobre um tema despido das frustrações que cada um de nós carrega e evita que apoiemos o que irá nos oprimir profundamente logo depois.

    • A única frustracao minha e creio que para os demais é o fato de falarem que a Petrobras é dos brasileiros, que gera receita para o município e ninguém ver a cor do dinheiro, exceto políticos e os petroleiros. Pegue todo esse seu discurso e fique aí na frente do posto cupim dizendo isso para os motoristas que estão indo colocar gasolina cara na frente da refinaria “dos” brasileiros. Passou da hora de privatizar e colocar na mão de profissionais eficientes que de fato gerem receitas, chega de funcionários públicos que com suas mamadas ficam mamando na teta de quem paga por suas aposentadorias e tantas outras regalias para Como sempre ser mal atendido pelo péssimo serviço oferecido pelo estado.

  8. A conta é simples:
    Custo de produção médio por litro de combustivel: R$ 1,4
    Lucro das distribuidoras + postos por litro: R$ 1,00
    Impostos (ICMS E OUTROS) em média: R$ 2,00
    Total em média: R$ 4,40

    Uma coisa é certa quem comprar não terá como abaixar o custo de produção, e os distribuidores e postos não vão poder vender por menos…
    E o governo não querer perder arrecadação…simples assim, está mais fácil aumentar os preços do que abaixar, até porque NUNCA abaixou….aperta o 17 e confirma…sem chance

    A venda vai ser boa se houver alteração da Lei, que permita o importador pague mais imposto do que for produzido. É a única forma.

  9. Pois bem, se o refino e o transporte de derivados passarem para a iniciativa privada, o governo brasileiro perde a possibilidade de controlar o preço do combustível que chega nas bombas dos postos.

    Com a Petrobras estatal e integrada, ela pode eventualmente ter “deficit” no refino (ou seja, vender a gasolina por um preço abaixo do custo para o consumidor brasileiro) e mesmo assim não ter prejuízo, porque ela pode ter um “superavit” nos custos de produção, por exemplo. Ela também pode operar a política de controle do preço interno da gasolina sem ficar refém da dinâmica flutuante do preço do barril no mercado internacional.

    Como estatal ela tem como meta prioritária a busca do atendimento aos interesses nacionais, acima da lógica da maximização do lucro. Com o refino nas mãos das empresas privadas findam-se as possibilidades de garantir desenvolvimento nacional e preços baixos aos consumidores, já que a lógica deixa de ser o bem estar social e passa a ser a do mercado.

    Você também pode não ter carro e dizer que não se importa com a subida do preço do combustível. Acontece se o preço da gasolina sobe, tudo que é “transportado” por rodovias terá seu preço acrescido: a carne que a gente come, as roupas que a gente veste… e isso tudo impactará fortemente na inflação do país, porque todos os preços subirão rapidamente, diminuindo o seu poder de compra.

    • E aonde que com essa estatal o preço é baixo? E aonde que o governo prioriza os interesses da população? O único interesse da Petrobras é agradar os acionistas, importar combustível dos EUA para pagar a dívida da petroleira de lá, a Petrobras nunca se importou com o brasileiro que é sua mula financiadora de tudo isso. A Petrobras nunca teve piedade do brasileiro, ao contrário entra governo e sai governo e continuam tirando o sangue de quem compra e paga imposto. Não faz sentido nenhum ter estatal que só serve para encher o bolso dos outros, assim como essa é COPEL, SANEPAR, nesse país enquanto tiver uma classe média se matando para pagar impostos e patrocinando tudo isso por tabela , a coisa não vai mudar. Nesse país só a dor vai resolver e a dor vai vir quando o governo quebrar e assassinar a classe média daí o rico não terá a quem sugar e os miseráveis não terão mais sua bolsa família, bolsa invasão e etc etc etc…mas enfim, vocês estão defendendo o pão de vocês não é e precisam seguir a cartilhazinha do sindiGato….

      • Infelizmente você está equivocado, a Petrobras como estatal, apesar de tudo que fizeram com ela, representou por muito tempo 10% do PIB, gerando empregos em toda a cadeia de fornecedores. As empresas estrangeiras NUNCA vão gerar empregos em massa no Brasil, e com isso a arrecadação vai cair drasticamente, parecido com o que está acontecendo com o Rio de janeiro. Ainda há muito petróleo a ser explorado e produzido, mas o que querem fazer é literalmente entregar o patrimônio do BRASIL sim, já que citou COPEL e SANEPAR, veja como estão os estados que tiveram esses serviços privatizados…. pagam os maiores valores, sem dó nem piedade.. (procure se informar melhor)

  10. É realmente impressionante o quanto alguns brasileiros desconhecem a história do próprio país. E chega ser chocante o quanto se percebe o rancor represado que alguns agora passam a externar sem um mínimo de pudor. É uma ignorância atroz, imune aos argumentos de que a energia e consequentemente a política que ordena o acesso da população tem que estar nas mãos do Estado-Nação para que se tenha um mínimo de chance de se organizar um projeto de inclusão social para a maioria. E impressiona a posição dos que se acham classe média e repetem o discurso dos verdadeiramente ricos, enquanto usufruem da boa situação que atingiram graças as políticas de proteção social que o Brasil, mal ou bem, manteve ao longo dos anos. Só essa vontade, para a maioria verdadeiramente inatingível, de ser verdadeiramente rico que pode levar ao discurso de que a estatal só beneficia os seus acionistas e funcionários. Será que estas pessoas pensam que os dirigentes de uma estatal norueguesa como a STATOIL, que adquiriu vários lotes do pré-sal descobertos pela Petrobras, ou os acionistas das grandes petroleiras irão investir pensando no interesse do Brasil e de povo brasileiro e deixando seus lucros em segundo plano? Não, certamente estas pessoas não pensam isso. Provavelmente elas não pensam nada. Elas acham que pertencem ao restrito grupo dos grandes detentores de capital e repetem o que eles dizem. Considero que desistiram de pensar.

  11. É realmente impressionante o quanto alguns brasileiros desconhecem a história do próprio país. E chega ser chocante o quanto se percebe o rancor represado que alguns agora passam a externar sem um mínimo de pudor. É uma ignorância atroz, imune aos argumentos de que a energia e consequentemente a política que ordena o acesso da população tem que estar nas mãos do Estado-Nação para que se tenha um mínimo de chance de se organizar um projeto de inclusão social para a maioria. E impressiona a posição dos que se acham classe média e repetem o discurso dos verdadeiramente ricos, enquanto usufruem da boa situação que atingiram graças as políticas de proteção social que o Brasil, mal ou bem, manteve ao longo dos anos. Só essa vontade, para a maioria verdadeiramente inatingível, de ser verdadeiramente rico que pode levar ao discurso de que as estatais brasileiras só beneficiam seus acionistas e funcionários. Será que estas pessoas pensam que os dirigentes de uma estatal norueguesa como a STATOIL, que adquiriu vários lotes do pré-sal descobertos pela Petrobras, ou os acionistas das grandes petroleiras irão investir pensando no interesse do Brasil e de povo brasileiro e deixando seus lucros em segundo plano? Não, certamente estas pessoas não pensam isso. Provavelmente elas não pensam nada. Elas acham que pertencem ao restrito grupo dos grandes detentores de capital e repetem o que eles dizem. Considero que desistiram de pensar.

  12. Kkkkk….olha o socialistas aí, vive no país das maravilhas, vai pra Venezuela o maduro tá precisando de vc lá….

    • Caso, não saiba a Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, a razão de tudo que se passa lá é realmente o interesse do mercado financeiro em tomar “conta” disso em nome de trazer “liberdade e justiça” aquele país.
      Por que não vão levar “liberdade e justiça” nos paises africanos que não tem riquezas em seu subsolo?

      Só analfabetos históricos não conseguem compreender o roteiro.

  13. A característica mais marcante da cegueira de pensamento é a rotulagem. Vem desde os tempos bíblicos, passando pela idade média e, infelizmente, chega aos nossos dias… Se faltam argumentos racionais, prega o rótulo: é heresia, é bruxaria, é socialismo, é comunismo… E é impressionante ver as pessoas falarem da Venezuela como se vivessem lá. Apenas repetem como papagaios o que a grande mídia diz, e dão o clique se achando inteligentes e bem-informados… “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.” disse Albert Eistein Enfim, temos que conviver e sofrer as consequências da imbecilidade, quando uma boa parte da sociedade a expõe até com orgulho e a outra parcela, assiste a tudo passivamente.

  14. Para os que quiserem informação com pitadas de ironia, é só abrir o link

    https://www.youtube.com/watch?v=eYIWsiBElUY

  15. Top ver os comentários. Só tem especialistas. Mas na última greve dos caminhoneiros Ficaram em casa ou perderam horas na fila pra completar o tanque de seus carros?dai reclamaram que o litro da gasolina explodiu.agora se houver outra paralização, irão contribuir é deixar seus carros em casa,e realmente aderir ,ou vai novamente falar:”somos todos caminhoneiros”.porém, não podemos ficar a pé. ???????

  16. Jack Nicholson

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