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Releituras

No livro “A Revolução dos Bichos”, o escritor George Orwell narra a fábula sobre um golpe aplicado por animais para tomar o comando de uma fazenda e instalar ali um regime onde todos os bichos tivessem direitos iguais. Lembro-me que estava na 4ª série quando li pela primeira vez o clássico.
 
Encontrei o livro na biblioteca de minha escola, se é que é possível chamar assim uma sala de aula transformada em depósito de livros didáticos com meia dúzia de obras literárias. Meu primeiro contato com a obra foi frustrante, pois não entendi praticamente nada do contexto da história. Na busca por respostas, questionei minha professora da época sobre o livro, mas – não para minha surpresa – ela nunca havia lido George Orwell e não me ajudou muito. No entanto, recordo que desde aquela época fiquei intrigado com “A Revolução dos Bichos”.
 
Voltei a lê-lo no Ensino Médio. Recordo que discuti o título com meu professor de Filosofia do Szymanski: Avanir. Um excelente mestre, mas com princípios bem diferentes dos meus. Ele não gostava de Orwell e tentou diminuir sua importância. Avanir era socialista. Gostava do regime cubano. Defendia as Farc. Odiava Fernando Henrique Cardoso. Adorava uma greve. Dizia todo orgulhoso que havia aprendido técnicas meio que de guerrilha para enfrentar a polícia durante as manifestações de professores por melhores condições de trabalho (salário, salário, etc…). Enfim, apesar da inteligência, Avanir não era a pessoa mais adequada pra discutir aquele título.
 
Li novamente “A Revolução dos Bichos” na universidade, enquanto cursava Filosofia na UFPR. Foi esclarecedor. Discuti o título com conhecidos, que – assim como eu – eram adeptos do capitalismo (bem poucos no curso de Filosofia, diga-se de passagem). Identifiquei-me muito com a obra. Consegui fazer comparações entre os personagens de Orwell e pessoas que conviviam comigo. Aquela  professora do ensino fundamental era Quitéria. O professor do ensino médio era Garganta e assim por diante…
 
Há algumas semanas voltei a me encontrar com “A Revolução dos Bichos”. Durante uma discussão sobre a conjuntura política de Araucária, um amigo tirou um exemplar da obra da gaveta e me indicou como uma boa leitura. Agradeci e lhe informei que já havia lido. Mesmo assim, ao chegar em casa, fui a minha mini-biblioteca particular (uma estante de ferro com cerca de cem títulos) e peguei o meu exemplar do livro e refiz a leitura. Novamente, foi esclarecedor.
 
George Orwell continua atualíssimo. Os personagens de seu clássico se encaixam muito bem na Araucária de 2010. Temos aqui muitos cavalos Sansões, que cumprem ordens sem reclamar, questionar ou qualquer coisa assim. Temos também muitas éguas Mimosas, que se preocupam somente consigo mesma e na sua reputação pessoal. Há também porcos Garganta, que usam da sua inteligência e poder de persuasão para transmitir à população o que o poder constituído prega. Temos muitos burros Benjamin, que apesar da inteligência e noção de mundo, preferem não se envolver e não dar palpites, pois consideram que “nunca nada vai mudar”. E, por fim, temos o grande porco Napoleão, que deu o golpe na causa que defendia e que por poder e riqueza prejudica e maltrata sem piedade toda uma cidade.
 
E você, amigo leitor? Com qual personagem de “A Revolução dos Bichos” mais se identifica? Até semana que vem!

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