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Como eles vieram parar no Brasil? – parte 2

Aproveitamento de palhas de trigo e centeio para fábrica de palhões na região de São Miguel. Acervo da família Jablonski, s/d.

 

No Brasil do início do século XIX existiram duas políticas imigratórias distintas. No sudeste brasileiro, especialmente São Paulo, o interesse em trazer mão de obra europeia visava substituir o tra­balho escravo nas lavouras de café. Os imigrantes, em maior número os italianos, trabalhavam para os latifundiários em troca de salário e viviam em cortiços. Já na região sul como um todo os governantes atraíam imigrantes europeus diversos e mais tarde asiáticos, a fim de desbravar e colonizar áreas até então despovoadas, e produzir gêneros alimentícios com base na agricultura familiar para abastecer os centros urbanos, assentando-os em colônias onde teriam a posse da terra.

O Paraná, que havia se emancipado da Província de São Paulo em 1853, buscava atrair os imigrantes oferecendo o custeio da passagem de vinda e condições especiais de pagamento pelos lotes concedidos (até dez anos para pagar). Os lotes eram demarcados e distribuídos pelo governo do Estado, sendo estabelecidas colônias de acordo com cada etnia em torno da capital Curitiba, formando um “cinturão verde”, e, posteriormente, mais ao interior do estado, sendo os poloneses os que chegaram em maior número. Em Araucária foram criadas as colônias polonesas de Cristina e Thomaz Coelho, essa última fundada em 1876, caracterizou-se como a maior colônia polonesa do Brasil, sendo chamada de Nova Polska. Sendo assim, a maioria dos poloneses que vieram ao Brasil chegaram antes ain­da das fugas proporcionadas pela Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939.

Agricultura familiar na colônia Thomaz Coelho. Acervo da família Jablonski, s/d.

Nas colônias o trabalho era árduo, era preciso adaptar-se ao clima e desbravar a mata virgem para abrir espaço para as lavouras e construir estradas para escoar a produção. Por aqui as matas eram repletas de pinheiros araucária, que eram comercializados com as serrarias que já existiam na região. De início construíam casas com troncos encaixados, sem a utilização de pregos, depois passaram a usar ripas, mais leves, frescas, fáceis de manejar e econômicas, pois com um pinheiro era possível construir uma casa inteira. O colorido começava a tomar conta das paredes das casas simples, mas enfeitadas com lambrequins nos beirais. Surgiam flores ao redor da casa. Os primeiros te­lhados, feitos de madeira falquejada, eram aos poucos substituídos pelos produzidos nas olarias, que surgiam às beiras do rio Passaúna. O trigo e o centeio começavam a produzir bem, e era preciso construir moi­nhos para processar a farinha para a broa, e as palhas eram levadas até as fábricas de palhões para que fossem confeccionados invólucros para o transporte de garrafas de vidro. Aos poucos, essas pessoas de fala e sotaque estranhos eram incorporadas à economia local e começavam a inlfuenciar a cultura. (Esse texto continua…)

Casa de troncos da família Pirog, em São Miguel. Acervo do Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres, 2006.

 

Publicado na edição 1108 – 12/04/2018

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