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No exercício do olhar: conhecer para pertencer

A destruição e/ou demolição do patrimônio histórico edificado não deveria interessar a ninguém, em época alguma!
Em novembro de 1979, o Jornal dos Pinheirais publicou uma coluna com o título: “Monumentos históricos as margens do Ingwas”(rio Iguaçu), assinada por Romão Wachowicz. A preocupação em divulgar a história das pontes sob o rio Iguaçu foi gerada pela possibilidade de desmonte e transposição das mesmas para Curitiba, o que segundo Wachowicz, seria um absurdo, pois era parte da história de Araucária, testemunho de gerações. Já na década de 1970, o Sr. Romão trabalhou com as fontes possíveis para convencer os leitores sobre a importância da preservação do patrimônio histórico municipal.

A ideia de revisitar os modos de vida de diversas épocas debruçando o olhar sob nosso patrimônio edificado é extremamente pertinente, pode e deve ser um exercício prazeroso, pois ao observarmos e pesquisarmos casas, monumentos, templos e até túmulos antigos, fazemos um caminho em busca do passado e do conhecimento que nos move para manter vivo o sentimento de pertencimento de um povo.

Sobre as Pontes:

(Pintura da primeira ponte sobre o rio Iguaçu)

Sabe-se que no final do século XIX, o inglês Walter Joslin projetou uma ponte de madeira sobre o leito do Rio Iguaçu, e que na mesma época, também foi construída uma ponte seca, destinada a dar passagem a veículos puxados a cavalo por ocasião de enchentes menores.

Em diário de visita de Dom Pedro II à Província do Paraná em 1880, menciona-se:

(…)“Às 9 horas seguiram viagem para Curitiba. A estrada é em alguns lugares boa, devido ao construtor Walter Joslin, que ainda trabalha tendo já apontado uma extensa ponte sobre o rio Iguaçu.”(…)

Depois de mais de três décadas, a ponte de madeira começou a apodrecer e em seu lugar, foi providenciada a construção de duas pontes metálicas. Entre 1912 e 1915, superestruturas metálicas foram importadas da Bélgica sendo transportadas via marítima até o Porto de Paranaguá, e via férrea até Araucária. Da estação Araucária as estruturas foram puxadas por carroças até as margens do Rio Iguaçu. As duas pontes foram exclusivas por aproximadamente 50 anos, até que em 1966 todo o movimento foi direcionado à outra ponte de concreto no atual traçado da rodovia.

As pontes metálicas foram tombadas pelo Decreto Municipal n° 2.580/81 e resistem ao tempo testemunhando nosso vínculo com tempos mais remotos.

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