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Ofício do ferro: ferreiro

Quem visita o Museu Tingüi-Cuera no Parque Cachoeira se depara com inúmeros objetos em exposição que dependeram da atividade de artífices. Um dos trabalhos mais curiosos está relacionado ao ofício do ferro: ferreiro. Imaginar uma cidade que dependia imensamente do trabalho dos ferreiros para funcionar, é voltar para uma época em que era comum uma diversidade de oficinas de ferraria espalhadas pelo município, tanto que alguns ainda podem se recordar da experiência de presenciar o trabalho dos ferreiros. Deles dependia a produção de quase todos os instrumentos agrícolas, arados e carroças entre tantos outros.

“Alguns documentos escritos revelam a atuação de ferreiros no município. Em destaque, na folha 2 do livro de registros e profissões do exercício de 1942, constam os ferreiros: André Knopik, Adão Debas, Afonso J. Perreto, Aleixo Felipak e Antonio Kukla.”(Acervo do Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres).

Um punho na marreta e outro na tenaz, as batidas ritmadas salpicavam o ambiente escuro das oficinas de ferraria com faíscas. Eles eram os homens que conheciam os segredos da metalurgia. Eles sabiam aquecer o metal e quebrar a sua resistência com o auxílio da forja, bigorna, marreta, tenaz e maçarico. Assim moldavam, furavam, torciam, cortavam, rosqueavam e dobravam para criar uma grande variedade de objetos. O ferreiro produzia, consertava e amolava ferramentas diversas e muito se dependia dele.

“Miguel e Francisco Iarek no interior da “Ferraria Iarek” , localizada ao lado da Casa do Cavalo Baio, nas antigas instalações da “Ferraria Cavalo Baio”, fundada em 1959 por Olívio e Vitório Perretto. Em 08 de janeiro de 1970, os irmãos Miguel e Francisco Iarek adquiriram a ferraria e mudaram a razão social para a “Ferraria Iarek Ltda.” Em 27/01/1989, o Sr. Miguel Iarek passou a sua parte na ferraria para seu filho Mário Vicente Iarek, mas continuou exercendo as mesmas funções no estabelecimento. Até o fechamento trabalharam na ferraria os senhores Miguel, Francisco e Mário. Ela funcionou até 1999.”

Infelizmente, nos dias atuais este ofício perdeu quase todo o seu espaço para o avanço tecnológico. A tradição de passar este conhecimento de pai para filho não perdurou e o que predomina são registros históricos em documentos e na memória de quem viveu essa época. Alguns poucos, como o Sr. Carlos Baideski e o Sr. José Olech ainda preservam seus equipamentos e realizam pequenos trabalhos para amigos e parentes.

José Olech em sua oficina na localidade de Campo Redondo, 2011. (Acervo Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres)

 

 

 

Publicado na edição 1120 – 05/07/2018

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