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Os encantos do cinema: os primeiros passos da sétima arte em Araucária

Muita coisa mudou desde a primeira sessão pública de cinema promovida em 1895 na França pelos Irmãos Lumiére, e também depois da primeira sessão que teria ocorrido em Araucária em 1912. Aos poucos, a sétima arte assumiu seu papel na indústria cultural e hoje em dia a exibição de filmes nas modernas salas das grandes redes se traduz prioritariamente em um ato de consumo no contexto de convívio dos shoppings centers.


No Brasil os antigos empreendedores de cinemas de rua foram perdendo espaço na maioria das cidades. Poucos resistem ao tempo mantendo salas de cinema em prédios que nos dão alguma referência dos grandes e suntuosos cines-teatro das primeiras décadas do século 20.

Em Araucária, apesar de nos dias atuais a cidade não comportar nenhuma sala de cinema, as referências históricas dão conta que a partir da década de 1910 muitos cidadãos estiveram envolvidos na atividade cinematográfica. Nascido na então Freguesia do Iguaçu em 1887, o precursor de tudo teria sido o Sr. Carlos Hasselmann, primeiro proprietário do Cinema Smart Araucária, denominado posteriormente Cine Theatro Araucária.

Sobre o cinema do Sr. Carlos, dona Cecília Grabowski Voss relata:

Cinema era [do] seu Carlos Hasselmann. Pagava quinhentos réis de entrada.

Era cinema mudo. Tinha a orquestra do Voss, (…) que tocava de tudo (…) Lotavam as sessões de cinema. (…) Tinha a galeria, tinha os camarotes. (Voss, Cecília Grabowski. Memória… In: Araucária, Prefeitura Municipal. Os espaços de lazer em Araucária: [s.n], 2ª edição. 2001.

Entre 1912 e 1913 foi projetado e construído o charmoso prédio do Cine – Theatro Smart. Sua fachada ostentava a data de 1927, quando provavelmente tenha passado por reforma. A partir de 1922 passou a se chamar Cine Theatro Araucária. Em 1993, infelizmente, o prédio foi demolido para dar lugar à uma nova construção para desempenhar outra função. Até a data de hoje funciona no mesmo local do antigo cinema, em novo prédio, o Banco Bradesco, localizado atrás da Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios.

Outro documento que também ajuda a revelar sobre como foram os primeiros passos da atividade cinematográfica em Araucária é o livro contábil da firma Zdaniak e Cia (1923-1927). Segundo suas páginas amareladas pelo tempo, contava a sociedade com a participação de Bruno Trauczynski, Pedro Schilnas, Bento Luiz de França e Elvira França Buschmann. O movimento de caixa durante esse tempo revela um negócio aparentemente lucrativo e que nos leva a imaginar um verdadeiro ritual que envolvia a projeção dos filmes. No livro encontramos a relação de pagamentos de muitos serviços como o de mestre de música, orquestra, operador, fornecimento de luz, fornecimento de fitas, condução das fitas (frete), fornecimento de foguetes, papel para os programas e cartazes, compra de livros e de selos para a coletoria estadual.
Continua…

Publicado na edição 1130 – 13/09/18

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