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Ah, santa falta de recursos!


Interessante ver o que a motivação é capaz de fazer com nossos gestores públicos. Uma coisa que um planejamento com visão de longo prazo seria capaz de prever e colocar em prática com tranquilidade, sem bagunçar a vida dos usuários, acaba gerando, se feito na correria, alguns transtornos, além de dar margem para questionamentos. Esses problemas, no entanto, não podem fazer com que aquele que tem o bastão em mãos, recue, pois é sempre preciso pensar no bem maior.

A maravilhosa e bem vinda falta de recursos, que pegou a Prefeitura de Araucária com as calças na mão, está fazendo com que o prefeito e sua equipe tenham que enxergar, na marra, soluções onde em épocas de vacas gordas seria impensável. Reorganização do transporte público, reformulação na Saúde e, agora, revisão no dinheiro que é gasto na Educação.

A Prefeitura, para começar o processo de devolução da responsabilidade e do gasto, para manter a educação do sexto ao nono ano, repassará ao Governo do Estado, nesta primeira etapa, dois prédios públicos onde atualmente funcionam escolas municipais. De cara, essa transferência fará com que sobrem cerca de 38 professores, os quais serão remanejados para outras escolas e, com essa mão de obra, diminuir-se-á a necessidade de despesas com professores em substituição, horas extras e até novas contratações.

A ideia de entregar os prédios das escolas (veja matéria na página 3) está gerando certa revolta, mais nos professores do que propriamente nos alunos que deverão ser remanejados para outras unidades da vizinhança. Porém, em uma perspectiva de curto prazo, a economia deverá ser muito mais expressiva do que o prejuízo de entregar patrimônio construído com dinheiro do município para o Estado.

É sabido que a parte de construção civil (o prédio) é a parte mais barata do processo. O que é caro é a manutenção do serviço, como o salário dos profissionais que ali vão trabalhar e outros gastos como merenda, material de expediente e outros. Tomara que a administração tenha avaliado todas as consequências dessa mudança e trabalhe de fato para fazer os devidos ajustes. E tomara, também, que essa visão de otimizar as coisas se estenda para o restante da máquina, com redução de cargos comissionados e o desperdício e o retrabalho nos setores “meio” entre as secretarias. Pense nisso e boa leitura.

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