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A vontade de Sofia


Quando fim da tarde quando iéu se achegando do trabaio na roça e entrando na cuzinha téve uma supreza, cuzinha tudo arumada, loça lavada, fogón de lenha ariado, assoalho sém os cagadinho dos cachoro e briando que ném espéio, parteléra tudo arumada, inté ficando sém jeito de entrar em casa que tirô butina pra non sujar. Fói na sala, sofá cubérto, os quadro de fotografia sem pó que inté dando pra ver a imagem do retrato, tudo ajeitado que inté parecendo outra casa. Iéu só se alembra de casa ansim limpinha quando Flortcha minha irmã ainda morava comigo e ficava dia intero limpando e cuzinhando. Foi enton no quarto pra trocar ropa de trabaio e quase caindo duro, quarto tudo cheio de vaso de flor, cama com lençol engomado e coberta com a colcha de crochê que babka féis, um travesséro do lado do outro como se tivesse duas pessoa pra drumir, tudo prefumado. Iéu tirando chapéu, coçô cabéça e non entendendo nada estando, parecendo que tendo muiér morando em casa. De repente rádio da cuzinha começando a tocar suzinho, iéu foi ver o que acontecendo e quando na cuzinha se achegando iscuitô barulho de gente na sala, caiu quéxo! Sentadona do sofá, de perna cruzada mostrando os joéio estando Sofia, mulher do Augusto Chifrowski. Iéla me zoiô com aquéles zóio diferente, abriu sorisón e já foi preguntando se iéu gostando da faxina que iéla fazendo. Iéu enton deu aperto de mon e já foi preguntando se iéla agora trabaiando de diarista, Sofia se alenvantando do sofá foi contando que fazendo limpeza de coraçón porque estando com pena que Isidório morando suzinho, que trabaiando demais e que non tendo muiér pra cuidar da casa como devendo ser cuidada. Iéu falando que nunca casa estando ton limpinha e ofereceu pra fazer um café e comer pon-com-banha, Sofia enton abriu sacola e foi tirando uma dessa garafa de vinho de rico e falando que querendo fazer brinde pra comemorar o fim do trabaio. Fumo na cuzinha, com sacaróia abriu garafa e quando foi pegar copo americano pra ponhar vinho, no armário tendo duas taça de cristal. Iéu non falando nada pego as taça e ponhando vinho e fizémo tim-tim. Enton Sofia me contando história que coisas com Augusto Chifrówski non andon ton boa e que iéle andando de rabicho com uma sirigaita da cidade e que iéla querendo se vingar. Iéu preguntando se iéla querendo que iéu dando uns tapa no Augusto e Sofia dizendo que querendo mesmo é fazer mesma coisa que iéle fazendo com a sirigaita proque iéla anda com uma vontade desgraçada e Augusto non querendo saber dela, iéu preguntando se Augusto sabendo que iéla estando na casa de Isidório e Sofia falô que ninguém sabendo e que iéla veio fazer visita, que se disfarçando de Frera pra ninguém reconhecer no caminho. Enton iéu falô pra Sofia que entendendo o iéla querendo e podendo ajudar iéla, mandô iéla ponhar o dirfarce de frera e encher mais vinho nas taça enquanto foi nas gaveta da cômoda precurar o que iéla percizando. Quando iela estando disfarçada iéu pegô o livrinho com a Ladainha e descasco reza inté vontade da Sofia passar. Vai que o Chiffrówski apareça disfarçado de Padre.

Publicado na edição 1137 – 01/11/18

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