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A alegria do Evangelho


A verdadeira alegria provém do interior do ser humano. Ela não é motivada por conquistas ou ganhos externos. Ela não é consequência de um sucesso externo. Ela não é egoísta e por isso não se centra em si mesmo, nas vantagens pessoais. Tudo isso pode provocar momentos de alegria, mas que facilmente tornam-se passageiros e levam a um vazio profundo. Podemos dizer que ela não é de fora para dentro, mas de dentro para fora. Quem está bem por dentro, manifesta este bem estar no contato com os outros, com o mundo, com aquilo que o rodeia. Dificilmente será abalado por situações externas negativas, pois o que o comanda, são os princípios internos que norteiam a sua existência.

Podemos nos perguntar: mas o que define o bem estar interior? O que determina uma alegria contagiante, que nem as intempéries e adversidades da vida podem arruinar? É uma alegria que está pautada em valores profundos, que direcionam a sua vida. São os valores do evangelho. Estes são perenes, são atemporais e universais. Não é a moda que os define, e nem os valores mundanos, que são temporais e passageiros. Tudo passa, mas os valores pregados por Jesus, que encontramos nos evangelhos, esses jamais passarão. São eles que provocam a verdadeira alegria, que é profunda, contagiante e plena. Em síntese, a alegria é fruto de um coração aberto para amar, se doar, servir, se sacrificar em prol do próximo.

A verdadeira alegria se manifesta quando você ajuda alguém com palavras, gestos ou ações. Era a alegria que brotava do coração de Jesus, um coração cheio de amor, de misericórdia, humilde e compassivo, pronto para perdoar e acolher a todos. Um coração livre de todo julgamento e condenação. Um coração que vibrava toda vez que conseguia ajudar alguém no campo da saúde ou no campo espiritual. Sua vida toda foi uma entrega total em prol dos mais necessitados, frágeis e carentes. A alegria de poder servir, ajudar, cooperar, se sacrificar, dispor do seu tempo para aqueles que mais precisavam da sua presença. Uma alegria que contagiava e influenciava outras pessoas a agirem do mesmo jeito.

Num mundo carregado por tanta tristeza, depressão, mau humor, precisamos aprender na escola de Jesus, e encontrarmos a verdadeira alegria. Ela não está na posse de coisas materiais, de vantagens pessoais, de sucessos externos, mas sim, em coisas muito simples, tais como: um abraço a quem dele necessita; um olhar de amor e misericórdia; um pequeno gesto de solidariedade com quem está carente do básico para viver. Ou então, visitar um doente, levar conforto a quem está sofrendo, escutar quem está sufocado pelo peso da vida. No fundo, a alegria do evangelho, é alegria de quem serve, de quem doa o seu tempo em prol de uma causa nobre, de quem está sempre pronto a ajudar. Isso sim plenifica a nossa vida e nos torna alegres de verdade, num contínuo bem estar.

A alegria que brota do evangelho é viva, dinâmica, contagiante, envolvente, porque carregada de entusiasmo e de otimismo. As pessoas alegres contagiam, transformam, tornam o mundo um pouco melhor. É uma alegria que brota do profundo, do interior, do prazer de servir em vez de ser servido, de dar em vez de receber, de colocar-se à escuta do outro, em vez de falar sem parar. O coração alegre está sempre pronto a sair, a ir ao encontro do outro, a despojar-se das suas vontades, em prol das necessidades do próximo. Isso sim realiza a vida de um ser humano; isso sim é viver com alegria; isso sim plenifica a nossa vida. A verdadeira alegria se espalha, transborda e se manifesta em gestos concretos de amor ao próximo.

Publicado na edição 1143 – 13/12/18

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