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A palavra de Deus orienta nossas vidas

Mês de setembro, para nós católicos, é o mês da Bíblia, em homenagem a São Jerônimo, cuja memória nós celebramos no dia 30, data da sua morte. Ele nasceu em 340 na Dalmácia, hoje Croácia e morreu no dia 30 de setembro de 420. É considerado o padroeiro dos estudos bíblicos, pois, traduziu a bíblia do hebraico (todo o AT) e do grego (maior parte do NT) para o latim, língua conhecida na época. A sua tradução é chamada de Vulgata, ou seja, ele traduziu a Bíblia de modo popular.

A palavra Bíblia vem do grego BIBLOS que significa Biblioteca, que contém 73 livros, sendo 46 do AT e 27 do NT. Ela não é de fácil interpretação, pois, faz-se necessário fazer uma boa exegese, ou seja, ler o texto dentro do contexto em que foi ela escrita. Conhecer a cultura, a história, os costumes da época. Tarefa árdua, feita por muitos biblistas, que nos ajudam a compreendê-la. Eu, pessoalmente, leio toda semana a análise de dois biblistas a respeito do texto que será lido no domingo. Tendo claro o contexto, torna-se imprescindível uma boa hermenêutica, quer dizer, trazer a palavra de Deus para a realidade de hoje, para o contexto atual. Fazer uma boa interpretação que penetre em nossa vida, e nos ajude a vivermos de acordo com os seus ensinamentos.

Além de conhecer a Palavra de Deus, ser ouvinte, como diz São Tiago, é preciso ser praticante. A leitura e a reflexão da Bíblia atingem o seu objetivo, quando toca em nosso coração e nos faz mudar o nosso jeito de ser e de viver. Nunca me esqueço, quando trabalhava em São Mateus do Sul em 1994, de um caboclo do interior. Ele me dizia que tudo o que ele ia fazer, consultava primeiro a palavra de Deus, para agir de acordo com as suas orientações e sempre dava certo. Achei muito sábias as suas palavras e aquilo ficou marcado para sempre em minha vida.

Um dia alguém disse para Santo Agostinho que era muito difícil entender a Palavra de Deus. Ele então respondeu de modo muito simples dizendo que é fácil compreende-la, basta viver o amor, porque a essência da Bíblia é o amor aos irmãos. Desde o seu início, quando Moisés recebeu a tábua da lei, o resumo da mesma é o amor a Deus e aos irmãos. Jesus vai afunilar ainda mais, resumindo tudo no amor aos irmãos, porque quem ama o irmão, ama a Deus, pois cada ser humano foi criado a sua imagem e semelhança. Amar significa ser solidário, misericordioso, respeitoso, capaz de ajudar a quem precisa e ir ao encontro do mais necessitado, enfim, é viver os valores pregados por Jesus no evangelho.

O grande problema de muitos leitores da Bíblia é lê-la ao pé da letra, de modo fundamentalista. Este tipo de leitura reduz o verdadeiro conhecimento e acaba criando tantas elucubrações e desvios do seu verdadeiro significado. Ou então, como bem chamava atenção Moisés, para não acrescentar ou tirar a essência da lei, de acordo com os gostos de cada um. É ser fiel ao texto, dentro do contexto em que foi escrito, e aberto a deixar-se guiar por aquilo que a atual realidade exige e pede de cada um de nós.

Ao ler a Palavra de Deus, precisamos pedir o dom da humildade, a fim de deixar-nos guiar pelo Espirito Santo, para que ele nos conduza a uma mudança pessoal. A Palavra de Deus, quando acolhida com o coração aberto, como semente lançada em terra boa, produzirá muitos frutos em nossa vida e, naturalmente ajudará a mudar a família e a nossa sociedade.

Publicado na edição 1129 – 06/09/18

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