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A Pedagogia do encontro

Jesus tinha um poder incrível de curar as pessoas. Todos queriam estar perto dele, tocar nele, pois diziam que dele saía uma energia tão positiva, capaz de restaurar muitas vidas despedaçadas pelo desprezo e pela marginalização. As pessoas mais simples, humildes e pobres, eram as que mais se sentiam amadas e acolhidas profundamente por Jesus. Para cada uma delas ele tinha uma palavra de conforto, de ânimo, de coragem e de esperança.

Na história do surdo mudo, Jesus afasta o doente para um lugar a parte, longe da multidão, coloca os dedos nos ouvidos, toca sua língua com saliva, ergue os olhos para o céu, dá um suspiro, pronuncia uma palavra misteriosa. O surdo mudo é um homem impossibilitado de relacionar-se com os outros. Vive isolado. A surdez era tida uma maldição, porque não permitia escutar a Palavra de Deus proclamada nas sinagogas. Este homem simboliza todos os homens que tem os ouvidos fechados à Palavra de Deus. Jesus cura-o.

Ao curar com um toque o surdo mudo, Jesus quis ensinar, sobretudo, que teve inicio um novo diálogo entre o céu e a terra. Agora todos podem escutar o evangelho, acolhê-lo na fé e anuncia-lo aos irmãos. A cura operada por Jesus tem mais um significado: representa o começo de um novo relacionamento que deve ser estabelecido entre os homens, é o sinal do encontro, do diálogo, da compreensão. O gesto de colocar os dedos nos ouvidos é o mesmo que se faz na celebração do sacramento do batismo. A saliva era a expressão do Espirito Santo.

Numa outra passagem, no meio da multidão uma mulher se aproxima de Jesus e toca nele e fica curada. Jesus percebe que saiu de dentro dele uma forte energia e pergunta quem tocou nele. Os discípulos dizem que era impossível saber, pois uma multidão estava tocando nele. A mulher então se revela a Jesus, e é curada da sua doença.

A distância do outro é sinal de frieza e tantas vezes de rejeição. Talvez o mundo de hoje está carente de uma presença mais amiga, de um abraço mais sincero, de um toque cheio de compaixão e misericórdia. As relações tornaram-se muito frias e interesseiras, perdendo a essência do encontro. O papa Francisco vai falar da pedagogia do encontro, feito na ternura e da acolhida do outro assim como ele é. Como é bom saber-se acolhido, abraçado na gratuidade, sem esperar nada em troca. Quando a relação é interesseira, ela perde todo o seu significado e torna-se vazia, onde todos saem perdendo. Num encontro sincero, verdadeiro, todos saem renovados e mais alicerçados para os desafios da vida.

Jesus nos dá uma verdadeira lição de humanidade quando se aproxima das pessoas, olha com olhos de brandura e de carinho. Revela um grande amor por cada ser humano, não importa a sua raça ou classe social. Levanta a pecadora caída; inclui o leproso abandonado e isolado pela sociedade; cura tantos aleijados, afastados do convívio social porque considerados impuros. É fascinante o modo como ele se dirige a cada um, pronto para levar a todos um pouco de esperança e de coragem diante das adversidades da vida.

No mundo de hoje, de tantos recursos tecnológicos, na era das redes sociais, talvez, como nunca, o ser humano se sente só e abandonado. É apenas um encontro virtual, sem o calor humano que se sente e se encontra somente através de um abraço, de um aperto de mão. Precisamos ser mais humanos, mais sensíveis e mais próximos uns dos outros.

Publicado na edição 1130 – 13/09/18

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