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A sublime arte de viver

O cotidiano de nossa vida é feito de tantos momentos agradáveis, especiais, inesquecíveis, de rosas e flores, mas também, de situações adversas, sofridas, dolorosas, espinhos e agruras. Saber viver é realmente uma arte, nem sempre tão fácil de ser compreendida devido às inúmeras situações inesperadas que a vida nos reserva. Talvez fomos educados para o sucesso, como se tudo aquilo que quiséssemos, surgisse em nossa frente como que num toque de mágica. E na verdade, não é bem assim. As realidades frustrantes, decepcionantes, são também parte integrante da nossa existência. E como enfrenta-las? Como dar a volta por cima frente a realidades adversas, como uma doença, a perda de um emprego, a separação, a morte de alguém muito amado, as dívidas impagáveis? São apenas algumas das situações difíceis que surgem de modo inesperado em nossa vida.

Não existe uma fórmula mágica para resolver as situações conflitantes da nossa vida. E a resposta depende da nossa atitude pessoal, embora muitos queiram transferir a sua responsabilidade para Jesus, como se ele fosse um mágico. Fico indignado com frases como esta: ‘coloque tudo nas mãos de Jesus e ele vai resolver o seu problema’. Que ledo engano, pois ele mesmo sempre afirma, após uma cura, ‘a tua fé te salvou’. Ele deixa claro que a ação humana é fundamental para que um problema seja resolvido. Tantos deixam de fazer a sua parte, creditando tudo a Jesus, e quando o problema não se resolve, acham que ele os abandonou. Já ouvi frases como essa: ‘quanto mais rezo, pior fica’. É verdade, quando não nos ajudamos, Deus não pode fazer nada.

Quando eu estudava teologia, aprendi uma frase que para sempre me acompanha ao longo da minha vida: ‘ a graça pressupõe a natureza’. Ou seja, a ação divina, necessita da ajuda humana. Jesus não foi um milagreiro que resolvia os problemas de todo mundo, pelo contrário, ele sempre colocou em ação a responsabilidade humana na solução de um problema. Um grande professor, nos meus tempos de Roma, costumava dizer: ‘Deus faz sempre o seu 100%; nós, nem sempre’. Ou seja, a solução de um problema chama em causa o nosso esforço, a nossa determinação, como dizia São Vicente de Paulo, ‘com a força dos braços e o suor do rosto’.

Deus nos deu algo que nos diferencia dos animais: a capacidade de pensar, analisar, refletir e buscar a solução dos problemas. Esse é o nosso grande diferencial, que nem sempre usamos de modo correto e adequado. A nossa mente é um fator determinante na condução correta de nossa vida, e quando ela é ativada, buscamos pensar antes de tomar qualquer decisão. Quando somos movidos puramente pela emoção, acabamos tomando decisões conturbadas, desintegradas e que podem nos conduzir ao precipício. A emoção dissociada da razão costuma criar dramas desnecessários, brigas infindáveis, situações tantas vezes irreversíveis. Percebo que damos muita razão para a emoção, como se ela fosse o fator determinante da nossa existência. Ela tem, sim, seu grande papel, mas ela deve obedecer as indicações oferecidas pela razão, do contrário, ela poderá criar um verdadeiro caos.

Na sublime arte de viver, somos eternos aprendizes. Diariamente nos deparamos com situações que pedem de nós uma resposta adequada e equilibrada. Nem sempre conseguimos administrar de modo saudável a nossa vida. Ela pede sabedoria e isso quer dizer, usar a nossa mente, e não sermos levados apenas pela emoção. Este equilíbrio é fundamental.

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