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A vida triunfou!

A páscoa tem a sua origem no judaísmo, que significa a passagem da escravidão do povo de Israel no Egito para a terra prometida. Depois de 40 anos no deserto, o povo finalmente avistou a terra onde corria leite e mel. Na chegada eles fizeram uma grande celebração, uma grande festa, com tudo aquilo que resume um momento tão importante: com muita carne e muito vinho. Desde então, todos os anos, o povo de Israel se reúne para celebrar a sua Páscoa, com direito a um carneiro regado a um bom vinho. O filho mais novo pergunta por que eles estão reunidos, e então o pai conta toda a história do povo de Deus no Egito; o tempo de escravidão; Deus que ouve o seu clamor, envia Moisés; os liberta e os conduz durante 40 anos pelo deserto até a terra prometida. Em seguida, comemoram esta passagem com muita festa e muita alegria.

A páscoa cristã também celebra uma passagem, mas diferentemente da páscoa judaica, comemora a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas. A morte de Cristo não é o fim de tudo, muito pelo contrário, é o começo de uma nova era, pois ele ressuscitou e vive pleno em nosso meio. Nós nos reunimos para celebrar a ressurreição do Senhor Jesus, que triunfou e sua mensagem, suas palavras, seus gestos e suas ações, continuam vivos em nosso meio. A morte não tem mais poder; as trevas foram vencidas; a esperança renasce e a certeza de um novo amanhecer brilha em nossa vida. Ele reina glorioso, soberano, o Senhor da história, luz da humanidade, caminho, verdade e vida.

Celebrar a Páscoa é celebrar a esperança, o otimismo, a alegria que brota da vitória da vida sobre a morte. O túmulo está vazio e permanecerá assim para sempre, pois o Senhor ressuscitou glorioso, triunfante, pleno, vencendo as trevas. O papa Francisco alerta os cristãos para uma quaresma sem páscoa, ou seja, de pessoas que vivem sempre a sensação de derrota, de túmulo, mal humoradas e desencantadas. Chama a atenção contra aqueles profetas da desgraça, como se o mundo estivesse perdido e não tivesse mais possibilidade de recuperação. Devemos ser profetas da esperança, que acreditam em dias melhores e são sinais do Cristo ressuscitado através de uma vida pautada no otimismo e na certeza de um novo amanhã.

Páscoa é passagem que se faz diariamente em nossa vida, através do nosso jeito de ser e de enfrentar as realidades adversas da nossa existência. Mais do que focar a vida nos problemas, que acabam se tornando dramas, é preciso buscar soluções. São elas que movem o coração de um cristão que acredita na ressurreição. Pois se não acreditarmos na possibilidade de mudanças, seremos os mais dignos de compaixão. Para muitos, a mudança incomoda, desinstala e é melhor então continuar do jeito que está, mesmo que não esteja bem. A mudança realmente provoca, mexe, desestabiliza, cria por momentos um verdadeiro caos, que aos poucos se transforma em novas possibilidades. Somos, por natureza, seres dinâmicos, vibrantes, mas tantas vezes preferimos o comodismo e a mesmice.

Ele ressuscitou e quer que nós também ressuscitemos, tenhamos um olhar cheio de coragem e de muita esperança. Cada problema superado, cada nova conquista e cada etapa vencida, nos faz acreditar que nós somos capazes e que fomos feitos para a vida e não para a morte. Quem nunca fez a experiência do enfrentamento, da superação, da ousadia, jamais fará a experiência da ressurreição, pois permanece sob o peso da cruz. Quem, pelo contrário, acorda de manhã cheio de esperança, crê em um novo amanhecer, porque Jesus ressuscitou.

 

 

Publicado na edição 1105 – 29/03/2018

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