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Ascensão: A festa do compromisso

Enquanto Jesus subia aos céus, os discípulos permaneceram olhando para o alto, tristes com a partida do Mestre. Então um anjo lhes apareceu enviando-os de volta para Jerusalém, a fim de darem continuidade à missão de Jesus. Eram eles agora os responsáveis para que o evangelho fosse anunciado a todos os povos. Deviam superar a saudade de alguém que foi embora, comprometidos em levar adiante o projeto do Reino de Deus. A subida de Jesus aos céus não é a celebração da saudade de quem partiu para não mais voltar, mas o inicio do compromisso agora confiado aos apóstolos de levarem a boa nova até os confins de toda a terra. Jesus fez a sua parte e confiou a eles a continuação da missão, dizendo: ‘ide pelo mundo inteiro e pregai o evangelho a toda criatura, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo’.

Cheios do Espirito Santo, os apóstolos partiram em missão, enfrentando uma série de adversidades, perseguições e até mortes, por causa de Jesus. Em nenhum momento eles pensaram em desistir, em largar o barco, apesar das inúmeras contrariedades encontradas no meio do caminho. O Espirito de Jesus ressuscitado era a força e a coragem para seguir em frente, de cidade em cidade, de casa em casa, com o firme propósito de levar a todos a boa nova da salvação. Aos poucos, os pagãos vão se convertendo ao cristianismo, e através do batismo, se juntam aos apóstolos para serem os grandes propagadores do evangelho de Jesus Cristo. Nada os detém, muito pelo contrário, o sangue derramado por um cristão, é motivo de novas adesões e de novas conversões.

A festa da ascensão do Senhor nos remete ao nosso compromisso como cristãos leigos e leigas, na Igreja e na sociedade. Sal da terra e luz do mundo. Se no passado foram os apóstolos e os primeiros cristãos a propagarem a boa nova do reino, hoje é compromisso de todos os batizados a continuação desta missão. A realidade de hoje é diferente, pelo menos em nosso país, mas os problemas que se avistam são muitos e exigentes. Hoje, o grande problema que assola grande parte do povo de Deus, é a grande indiferença frente ao sofrimento do outro. Existe no ar um egoísmo, um individualismo exacerbado, onde cada um pensa somente em si mesmo e naquilo que lhe satisfaz. O papa Francisco alerta para esta situação nada cristã, e nos desafia a sairmos de nós mesmos, indo ao encontro do outro.

Uma Igreja em saída significa exatamente isso: abrir-se ao outro e às suas necessidades. Muita gente padece de diversos males, seja no campo material, como humano e espiritual. O grande desafio é sair de si mesmo, e ir ao encontro do outro, numa atitude de solidariedade e de misericórdia. O contexto que vivemos é realmente desafiador, nos inquieta, nos pede uma atitude de abertura, porque o problema do outro é também meu problema. Tantas pessoas hoje imploram uma palavra de consolo, uma escuta, uma mão e um ombro amigo. Colocar-se ao lado deles, e ser uma luz em seu caminho, um sal que recupera o gosto pela vida, é fundamental na vida de um cristão.

A festa da ascensão nos convoca a sermos testemunhas de Jesus, através de palavras, gestos e ações. Mais do que mestres, o mundo de hoje precisa de testemunhas, de pessoas que procuram viver aquilo que pregam, e demonstram através de gestos, que creem naquilo que expressam através de palavras. Como seguidores de Jesus Cristo, somos desafiados a sermos sinais vivos do seu amor no mundo, saindo de si mesmos e indo ao encontro do outro.

 

Publicado na edição 1112 – 10/05/2018

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