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Jesus falava com autoridade


As palavras podem ser muito comoventes e envolventes, mas, nem sempre elas estão de acordo com as ações. Jesus pede aos seus seguidores que sigam as palavras pronunciadas pelos fariseus e saduceus, mas alerta dizendo que não façam o que eles fazem, pois falam bonito, mas não praticam o que anunciam através das palavras. Isto, na verdade, Jesus chama de hipocrisia, ou seja, falar uma coisa e fazer outra bem distinta. É a falta de autenticidade, de testemunho, e, as palavras acabam perdendo a foça. O que dá poder e credibilidade às palavras são as ações, as atitudes e o comportamento.

Existe um ditado que diz: palavras comovem, exemplos arrastam. Isso vale em todos os campos da vida. Seja na família, na comunidade, no trabalho, na vida social, falamos muito mais por aquilo que somos e o que fazemos, do que por aquilo que falamos. A comunicação mais fraca é aquela que é dita de modo eloquente e persuasivo, mas que contradiz com o jeito de ser nas relações com os outros seres humanos. São Vicente dizia que antes de pregar, de ensinar, é preciso viver. Aquilo que provém de uma prática amorosa, de uma ação misericordiosa, de um jeito de ser e de viver, dá sustento e credibilidade para as palavras.

O homem pós-moderno, mais do que mestres, necessita de testemunhas. Quantas pessoas quando falam, despertam dentro de nós um movimento natural de fechamento, de pouco caso, pois são palavras que ferem, dado que não provém de um coração sincero e verdadeiro. Por outro lado, quando alguém testemunha um jeito de ser, de amar, de se doar, de fazer o bem, toca dentro de nós e nos move para uma mudança interior. No mundo em que se fala tanto, talvez falte um maior silêncio para rever as ações nocivas, e colocar-se numa dinâmica de mudança. Existe uma poluição sonora muito grande, defesas, justificativas, ataques e contra-ataques. Parece que poucos querem reconhecer suas faltas, seus erros, suas contradições e colocar-se num estado de mudança, de transformação. Os outros são sempre os culpados, por isso que as coisas não andam bem. São poucos os que assumem sua própria vida e se colocam abertos para mudar, para tomar atitudes diferentes em sua vida.

Jesus é nosso modelo por excelência. Suas palavras sempre estiveram de acordo com suas ações, com o seu comportamento. Antes de falar, partiam dele gestos de acolhida, de ternura, de compreensão, de misericórdia e de compaixão. O seu jeito de ser sempre foi de muito amor, contrário a todos os julgamentos e condenações. Por isso, suas palavras ecoavam no coração das pessoas, e todos se sentiam atraídos por aquilo que ele pregava por onde ele passava. Falava com autoridade e não como os mestres da lei. O seu amor por cada pessoa, sobretudo, pelos mais necessitados e excluídos da sua época, demonstrava seu jeito de ser e de viver. Nunca ninguém falou como este homem, porque nunca ninguém amou tanto quanto ele. Ele, sim, é exemplo de autenticidade, de verdade, atraindo pela vida e não por palavras.

O nosso papa Francisco reflete muito no seu jeito de ser esta imagem de Jesus. Quando eu escuto suas palavras, naturalmente sinto nele o próprio mestre. Sempre preocupado com os mais necessitados, os mais pobres, acolhe a todos com muito respeito, valorizando e aceitando as diferenças. Podemos perceber uma verdadeira coerência entre as palavras e as ações. Os discípulos de Jesus se colocam nesta busca de coerência, a fim de serem sinais de amor, de alegria, de entusiasmo, de otimismo, neste mundo tão marcado pelo sofrimento. Mais que mestres, o mundo precisa de testemunhas que falem com autoridade.

Publicado na edição 1164 – 23/05/2019

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