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Jesus, o bom pastor


Jesus se apresenta como o bom pastor, aquele que dá a vida pelas suas ovelhas; e não como o mercenário que quando vê o perigo foge, e deixa as ovelhas abandonadas. Quem era o mercenário? Era o empregado, contratado pelos pastores, para cuidar dos seus rebanhos na parte da noite. Ele tinha o dever de cuidar do rebanho, mas, se corresse perigo de vida, podia fugir e salvar a sua pele. Ele não era o dono das ovelhas, mas apenas um empregado. Jesus chama de mercenários os chefes religiosos e políticos da sua época, que abandonavam as ovelhas no meio do perigo. É muito pertinente a frase de Jesus a esse respeito, diante do sofrimento das pessoas: ‘eu tenho pena deste povo; são como ovelhas sem pastor’.

A imagem do pastor era muito conhecida no tempo de Jesus. Praticamente todos os agricultores criavam ovelhas, dado que o terreno era muito pedregoso e a falta de chuva, que não permitiam o cultivo da terra. Mas os pastores não eram pessoas muito amadas pelo povo de modo geral, e muito menos pelas lideranças religiosas e políticas. Facilmente eles assaltavam, era mau caráter e a presença deles como defesa no tribunal era sempre dada como derrota na certa. No entanto, as ovelhas ouviam a sua voz e a seguiam. De manhã, quando o pastor vinha buscar as suas ovelhas, que tinham sido cuidadas à noite pelo mercenário, bastava ele abrir a sua voz e logo elas o seguiam.

Elas não seguiam a voz de estranhos, ou seja, a voz daquele que não fosse o seu pastor.

Jesus, o bom Pastor, conhece as suas ovelhas e elas reconhecem a sua voz e o seguem. Sabem que ele tem, como único objetivo, conduzi-las para lugares onde tem água cristalina e campos verdejantes. Os mercenários que são os chefes religiosos e os chefes políticos têm outros interesses, e não o bem delas, e por isso, elas não escutam a sua voz e não o seguem. Jesus condena a atitude deles, que ao longo da história abandonaram o povo de Deus, pensando somente nos seus benefícios e nos seus privilégios.

No inicio do cristianismo, a imagem do bom pastor sempre foi predominante no meio dos seguidores de Jesus. Se visitarmos as catacumbas, sobretudo, de São Calixto, encontraremos diversos afrescos com a pintura de Jesus, o Bom Pastor, carregando as ovelhas, curando as suas feridas e dando-lhes todo o conforto e atendimento. Assim, eles também, movidos pelo exemplo de Jesus, colocaram-se na mesma dinâmica de dar a vida pelo Reino de Deus. Enfrentaram perseguições, calúnias, prisões e muitos morreram, defendendo o projeto de Jesus, o bom pastor.

Hoje, cada um de nós, como cristão, é chamado a seguir o Bom Pastor, e isto significa, colocar a sua vida a serviço das pessoas. Ir ao encontro dos desanimados, dando-lhes conforto e coragem; visitar os doentes, tão necessitados de uma atenção e uma palavra de esperança; dar a mão a quem está caído e ser para ele um amparo; escutar aquele que anda muito deprimido, acolhendo a sua dor e sofrimento.

A mãe é por excelência essa imagem do bom pastor, capaz de dar a vida por seu filho, se for preciso. Conheço muitas pessoas que vivem graças à mãe, que no parto, preferiu dar a sua vida, para que o filho continuasse vivo. Neste dia das mães, que coincide com a festa do bom pastor, que Deus derrame graças e bênçãos sobre cada uma de vocês, pela imensa coragem de colocar o filho no mundo e educa-lo com tanto amor e carinho. Parabéns.

Publicado na edição 1162 – 09/05/2019

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