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Jesus, o bom pastor

A fama dos pastores no tempo de Jesus com certeza não era das melhores, muito pelo contrário, eram tidos como bandidos e perigosos. Isto tanto é verdade, que no julgamento de alguém, a simples presença de um pastor, geralmente dava causa ganha para o adversário. No entanto, era admirável o cuidado deles com o seu próprio rebanho, e foi exatamente este aspecto que chamou a atenção de Jesus. As ovelhas facilmente conheciam a voz do seu pastor. Era normal que na parte da noite, diversos grupos de ovelhas dormiam no mesmo lugar, sendo cuidadas pelo mercenário. Na parte da manhã, quando vinha o dono, as ovelhas conheciam imediatamente a voz do seu pastor, e o seguiam. Sabiam reconhecer perfeitamente a voz do seu pastor, da voz de um estranho.

Jesus se apresenta como o bom pastor, que dá a vida por suas ovelhas. Elas conhecem a sua voz, e o seguem, porque ele as conduz para verdes pastagens e águas cristalinas. Ele nos fala do mercenário, que foge quando aparece o lobo, o grande inimigo das ovelhas. Quem é o mercenário? Geralmente o imaginamos como alguém mau, perigoso, que deve ser evitado, o que na verdade, não corresponde com aquilo que ele é. Mercenário é o empregado, contratado para cuidar das ovelhas, sobretudo, na parte da noite. Ele é pago para proteger o rebanho, mas diante do perigo, ele não é obrigado a defendê-lo, a ponto de sacrificar a sua própria vida. Ele foge então, diante de um eminente perigo, que poderia causar a sua morte. Jesus, então, nos diz que ele não é como o mercenário que abandona o rebanho na hora ameaçadora, muito pelo contrário, ele defende as ovelhas, e se for preciso, dá a vida por elas.

Jesus se apresenta de diversos modos, mas a imagem do bom pastor é com certeza a mais forte e predominante. Inclusive, vem daí a palavra pastoral, tão utilizada no meio eclesial. Pastoral vem de pastor, de alguém que, a exemplo de Jesus dá a vida em determinado setor da Igreja. A Igreja é formada de diversas pastorais, que alimentam através da fé e da esperança a vida do povo. Quem faz parte de determinada pastoral, é chamado a doar-se por ela e pelas ovelhas que lhe são confiadas até as últimas consequências, a exemplo de Jesus, o bom pastor.

Muitas imagens aparecem ao longo da história, ilustrando Jesus como o bom pastor, mas nenhuma é tão forte, como aquela que cuida e cura as feridas das ovelhas. Ele se preocupa com aquela mais frágil, mais carente e necessitada de cura. Além disso, vai ao encontro também daquela que se perdeu, e faz festa quando a encontra. Ele não se contenta com aquelas que estão salvas ou bem nutridas. O que o preocupa é aquela ovelha que está enferma ou então, afastada e distante do rebanho. Realmente linda e forte e sugestiva esta imagem de Jesus, o Bom Pastor.

Assim também a Igreja, a exemplo do Bom Pastor, deveria ir ao encontro daquela ovelha, ou seja, daquelas pessoas machucadas, doentes e feridas. Elas são as prediletas de Jesus, preocupado com o bem estar físico e espiritual das mais sofridas e abandonadas. O papa Francisco nos pede para sairmos, para irmos ao encontro daquelas ovelhas que se perderam no meio do caminho e andam afastadas do rebanho. Tantas pessoas se afastaram da Igreja, outras ainda não conhecem a beleza do evangelho. É preciso ir ao seu encontro, mostrar-lhes a beleza do seguimento a Jesus. Seguindo o exemplo de Jesus, o bom pastor, cada um de nós, como membro batizado, tem a missão de acolher, cuidar e ajudar a quem mais precisa. Além disso, ir ao encontro daquele irmão que se perdeu e resgatá-lo para a vida.

 

 

Publicado na edição 1109 – 19/04/2018

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