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Novos céus e novas terras


A linguagem apocalíptica, que retrata o fim dos tempos, nos apresenta imagens fortes dos astros do céu em extinção. O sol não escurece mais, a lua não reflete o seu esplendor, as estrelas caem e as forças do mal são abaladas. Antigamente os astros do céu eram considerados divindades, que tinham influência sobre a vida das pessoas. Visando refutar a religião dos que adoravam o sol, a lua e as estrelas, os profetas teriam afirmado que um dia estes corpos celestes teriam perdido a sua luz e teriam caído. O mundo pagão, representado pelos astros, teria sido destruído. E viria então o Filho do Homem com toda a sua glória, para governar os céus e a terra.

A imagem apocalíptica, longe de dizer que o fim dos tempos chegou, quer nos trazer a esperança de novos tempos, onde reinará o Filho do Homem. Ele virá entre as nuvens e o seu Reino não terá fim. Céus e terra passarão, mas as suas palavras jamais passarão. O mundo pagão ficará para trás, e surgirá então uma nova realidade, com fortes sinais de amor, de alegria e de paz. É a imagem da esperança, de alguém que virá para restaurar todo ser humano e trazer a paz sobre todos os povos da terra.

Aproxima-se a vinda de Jesus, o seu nascimento, celebrado todos os anos por ocasião do dia do Natal. Ele é este novo sol que veio para brilhar e iluminar a face da terra. Ele é esta nova lua que reflete todo o esplendor da glória de Deus. Ele é a estrela que virá para mudar o rumo da humanidade. Suas palavras, seus gestos, suas ações, serão decisivos para instaurar um novo tempo, uma nova era, uma nova sociedade. Portanto, longe de falar do fim dos tempos, que gera medo, comodismo, fechamento, a vinda do Messias renovará a esperança, o desejo de transformar este mundo e viver uma nova realidade. O amor, o perdão, a acolhida, uma nova relação entre os irmãos, a paz, a esperança serão alguns sinais deste Reino anunciado pelo Filho do Homem.

A vinda de Jesus ao mundo foi tão impactante e transformadora, deixou marcas tão profundas, a ponto de dividirmos a partir de então o mundo em antes e depois de Cristo. Toda a sua pregação foi pautada pelo amor, que vai ao encontro das pessoas, que se preocupa com a saúde de cada um, com o mundo das relações e com a felicidade de cada ser humano. O mundo pagão ficou para trás, e brilhou para sempre o Reino anunciado pelo Filho do Homem. Tudo passará, mas as suas palavras, seus gestos, suas ações, jamais passarão.

Como seguidores de Jesus, nós somos chamados a sermos sinais de esperança, de um novo céu e uma nova terra. A nossa vida deve refletir esta certeza de que podemos ajudar o mundo a ser melhor, mais humano, mais fraterno e mais pacífico. Longe de concordarmos com os profetas da desgraça, com cara de túmulo, mal humorados e desencantados, como nos alerta o papa Francisco, somos desafiados a sermos os profetas da esperança. Por onde passarmos deve brilhar em nós a luz de Jesus, estampada em nosso rosto, em nossas palavras, em nossos gestos e em nossas ações.

Assim como Jesus, que transformou a humanidade com o seu jeito de ser, de falar, de viver, a nossa vida deverá deixar marcas de amor e de esperança. Este será o nosso legado para as futuras gerações. O mundo já não é mais o mesmo, porque Jesus passou por ele e transformou todas as coisas. E hoje, compete a nós, darmos continuidade à sua missão.

Publicado na edição 1139 – 14/11/18

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