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O príncipe da paz

A vinda de Jesus, a sua encarnação, o Deus feito homem, revolucionou a humanidade. Não uma revolução de armas, de poder, de força e opressão, mas de amor, o verdadeiro amor entre os seres humanos, única fonte da paz. Onde existe amor entre os irmãos, reina a paz. Jesus, o filho de Deus, feito gente como nós, veio nos ensinar que somente o amor é capaz de mudar, de transformar, de gerar um novo mundo e uma nova sociedade. O amor que acolhe e que serve e que se sacrifica e que se doa de modo livre e incondicional. O príncipe da paz, foi o homem que por onde passou, espalhou o verdadeiro amor, o amor sem limites, a ponto de dar a vida para nos salvar.

A inveja, a fofoca, a calúnia, a indiferença, o pessimismo, o ódio, são todas características de pessoas amargas, mal humoradas, porque lhes falta o essencial: o amor. Onde reina o amor, existe no coração humano um desejo sincero que o leva a pensar no bem do outro, a querer a sua plena realização e a sua felicidade. Não são as armas de fogo, nem as guerras, e muito menos a violência, que vão gerar a paz que o mundo tanta necessita.

Estes são paliativos enganosos, mentirosos e provocadores de mais guerra e mais violência. Quando tratamos alguém com respeito, com ternura, com bondade, carinho, nós estamos semeando no coração desta pessoa a verdadeira paz.

O Natal, nascimento do Salvador da humanidade, vem novamente nos ajudar a refletir a vida, as atitudes, os gestos e ações daquele que é o príncipe da paz. Por onde ele passou, ressoaram somente palavras de esperança, de coragem, de incentivo, de valorização e de dignidade do ser humano, sobretudo, para com aqueles mais fracos e mais necessitados. O homem de Nazaré espalhou com suas mãos, a ternura e força para aqueles que estavam caídos pelo peso da vida. Suas ações despertaram nos corações humanos o verdadeiro milagre que nos faz se todos mais irmãos: a partilha. O amor divide, oferece a quem não têm, não é egoísta, nem ganancioso e nem fechado em si mesmo.

Neste período tão especial do ano, se renovam os desejos de um mundo de paz, de irmãos, onde todos possam viver dignamente. Mas não bastam palavras apenas, o que devemos renovar são os gestos de fraternidade, de solidariedade, de partilha. Palavras são palavras, e tornam-se vazais, quando dissociadas de uma ação amorosa. São como que sons emitidos e que se perdem no vazio da existência humana. Um gesto concreto, fala muito mais do que milhões de palavras, sem amor e sem caridade.

Vamos abrir o nosso coração e espalhar pelo mundo, o amor que brota de dentro de nós mesmos e se manifesta através de gestos concretos. Um abraço, um sorriso, um incentivo, uma partilha, mesmo que simples, podem ajudar o mundo a ser melhor. Vamos continuar acreditando que as coisas podem melhorar, e dependem, em grande parte, da nossa contribuição pessoal. Enquanto jogarmos toda a responsabilidade em cima dos outros, estaremos nos omitindo daquilo que compete a cada um de nós. Uma gota no oceano pode não enchê-lo, mas sem esta gota, não existiria o oceano. Na medida em que cada um fizer a sua parte, oferecendo o melhor de si mesmo, o mundo poderá começar a mudar. Vamos sonhar, pois somente os sonhadores, são capazes de transformar o mundo. Não nos deixemos guiar pelos profetas da desgraça, mas sejamos sinais de esperança. O príncipe da paz está chegando e a sua morada em nosso coração, ajudará o mundo a ser melhor. Feliz Natal.

Publicado na edição 1144 – 20/12/18

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