O vinho novo

O vinho é uma das bebidas mais antigas, citadas em diversas passagens do Antigo Testamento. O profeta Isaias apresenta uma linda passagem, falando do grande banquete do Reino de Deus, onde haverá carnes gordas e vinhos finos. Enaltece a beleza do vinho, dizendo: ‘que vida é aquela de um homem que não bebe vinho?’ Falando sobre o presente e o futuro, ele afirma sobre o vinho: ‘o beberemos aqui na terra até o dia em que o beberemos todos juntos no paraíso’. É como se o vinho não fosse um produto apenas da terra, mas também do céu. O que será que nos sugere esta imagem do vinho?


Sabemos que o vinho é sinônimo de alegria, de prazer, de bem estar, de festa. Para os povos antigos, era inconcebível uma festa sem vinho. Assim também na cultura europeia, até hoje o vinho faz parte integrante das refeições, sendo considerado um produto básico, assim como o arroz e o feijão para o brasileiro. O vinho traz alegria, é sinônimo de festa e por isso, na festa do Reino de Deus, não pode faltar o vinho, ou seja, a alegria. Este é o grande significado do vinho, não apenas como um produto material, mas aquilo que ele representa. Por isso, a imagem do vinho foi muito utilizada no Antigo Testamento.

Jesus realiza seu primeiro milagre, transformando água em vinho, numa festa de casamento, em Caná da Galileia. Precisamos compreender melhor o significado desta festa e os elementos essenciais que fazem parte dela. Faltou vinho, e os convidados já estavam meio embriagados, e o normal, seria tomar depois um vinho qualquer, porque não faria diferença. Mas o que simboliza o primeiro vinho, que era pior do que o segundo vinho? Com certeza, simbolizam as estruturas, as normas pesadas, as leis impostas pelos fariseus, pelos doutores e comandantes da sociedade da época. O povo não estava feliz, alegre, é como se não existisse festa. O segundo vinho representa Jesus Cristo, o vinho novo, que veio para resgatar a alegria e a esperança do povo de Israel. O povo que andava nas trevas, triste e oprimido, debaixo de um jugo pesado, viu brilhar a luz. Jesus é esta luz, Jesus é este vinho novo, que veio resgatar no povo a esperança de um mundo melhor.

Jesus se serve do vinho para permanecer em nosso meio, quando na última ceia, depois de partir o pão, passou o cálice com o vinho, dizendo: “tomai e bebei; fazei isso em memória de mim”. Ou seja, Jesus quer que os seus seguidores, sejam como um bom vinho, alegres, animados e entusiastas. Os seus seguidores não podem ser azedos, mal humorados, depressivos, perturbados, mas, felizes e realizados, porque ele está em seu meio. A religião católica não pode ser um fardo, um peso, uma obrigação, enaltecendo a cruz que massacra e cria pessoas tristes, infelizes e rancorosas.

O papa Francisco nos chama para vivermos a alegria do evangelho, que brota dos valores pregados por Jesus. Seguir a Jesus é aprender a viver de modo alegre, entusiasta, dinâmico, vibrante, porque quem faz a experiência do encontro com ele, não pode ser mais do jeito que era antes. Este vinho novo, diferentemente do vinho velho dos fariseus, amargo, azedo, é um vinho que realiza e que transforma e que faz os seres humanos felizes e realizados. Claro que, o seguimento a Jesus é exigente, mas somente um amor exigente dá sentido e gosto à nossa existência. É um amor que nos impulsiona a sair, a ir ao encontro do outro, a fazer-se presença de coragem e de esperança na vida do nosso próximo. Jesus é este vinho novo, que transforma nossa vida por dentro, e nos ensina a servir com alegria.

Publicado na edição 1146 – 17/01/19

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