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Pentecostes – Nasce a Igreja


Cinquenta dias depois da ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos que estavam com as portas fechadas, por medo dos judeus. Sopra sobre eles o seu espírito e, eles, imediatamente saem e começam a anunciar o evangelho. O povo que escutava, estava impressionado, pois, todos os compreendiam na sua própria língua. E havia ali gente de todos os lados, que falavam diversas línguas. Qual é a linguagem que falavam os discípulos? Com certeza, aquela que era soprada pelo Espírito Santo, a linguagem do amor. E neste momento, com o sopro do Espírito, nasce a Igreja. O Espírito os envia para pregar a boa nova em todos os lugares da terra, batizando a todos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A Igreja Católica é, sem dúvidas, obra do Espírito Santo e por isso ela jamais sucumbirá. O próprio Jesus promete: ‘estarei convosco até o fim dos tempos’. Quando algumas pessoas se preocupam com o fim do catolicismo, basta lembrarmos que aquilo que vem de Deus, permanece para sempre. Pode ter crises, momentos difíceis, mas Deus não permite que esmoreça aquilo que ele próprio criou. O que vem de Deus é para sempre, e se renova todos os dias, pois o Espírito Santo é criativo, é dinâmico, criando coisas novas, renovando todos os dias a face da terra.

Podemos afirmar que o dono da nossa Igreja é o Espírito Santo, que move seus passos, através dos seus diversos instrumentos. São Paulo vai dizer que a comunidade é como um corpo, composto de diversos membros. Todos eles são importantes, mas eles não são o corpo. O corpo é o próprio Cristo e nós somos os seus membros. Somos importantes, mas não insubstituíveis. O problema é quando alguém se julga acima dos outros, sem o qual as coisas não avançam. Na verdade, longe de ser a solução, este membro por vezes está sendo um empecilho, pois não está permitindo a ação do Espírito Santo.

A linguagem que provém do Espírito Santo é o amor. Não um amor passageiro, apenas sentimento, mas que tem a sua origem no verbo amar. Amar significa ir ao encontro do outro, se sacrificar, fazer o bem, estar a serviço do irmão, de modo alegre e gratuito. Onde existe amor e caridade, Deus ali está. Do contrário, é o espírito do mal que reina e destrói. O amor une, aproxima, nos faz irmãos, solidários e abertos a servir a quem mais precisa. O verdadeiro amor jamais acabará e fará grandes coisas no meio de nós. O amor é o Espírito Santo em nós, conduzindo nossos passos, nossas palavras, nossos gestos e nossas ações.

Pentecostes é a festa do Espírito Santo que cria e conduz a nossa Igreja e a conduzirá até o final dos tempos. É preciso que abramos o nosso coração e deixemos que ele possa agir através de cada um de nós, transformando-nos e mudando o mundo que nos cerca. A falta de amor é sinal da ausência do Espírito de Deus. Quem está cheio deste Espírito, por onde passa, semeia somente o bem, a esperança, o otimismo, a alegria e a vida. O papa Francisco quer uma igreja em saída, que vai ao encontro dos mais necessitados, daqueles abandonados e dos que se afastaram da nossa Igreja. Um verdadeiro pastor, conduzindo o seu povo para onde estão os verdes campos e as águas puras. Rezemos pela nossa Igreja, para que continue fiel ao Espírito Santo, levando a paz e o amor a todos os homens e mulheres de boa vontade. Sempre peçamos a presença deste Espírito, para que através de cada membro ele possa produzir muitos frutos de amor, que são o respeito, a ternura, a solidariedade, a fidelidade, a paciência, a alegria. Pentecostes – festa da Igreja, festa de todos os membros desta Igreja.

Publicado na edição 1166 – 06/06/2019

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