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Profetas da esperança

O ser humano, por natureza, é muito mais facilmente propenso a olhar a vida a partir dos aspectos negativos; facilmente se deixa abater e arrasar pelas tragédias; o desânimo parece que se sobressai nos momentos difíceis e exigentes; paira uma indiferença, frente à dor do outro, como se o problema alheio não tivesse nada a ver consigo. Sobretudo, no meio de situações bastante complicadas, difíceis, trágicas, a sensação é de derrota, de olhar a realidade de modo fatalista, sem saída e sem esperança. Vivemos, no mundo de hoje, uma grande onda de depressão, de falta de sentido e de significado. Uma onda que se espalha e vai criando um ar de fim dos tempos, como se o mundo não tivesse mais conserto.


Diante desse quadro, surge a palavra de Deus, apontando caminhos e nos mostrando possibilidades de transformação. Os profetas do Antigo Testamento são homens de esperança, em meio a realidades caóticas, sofridas e deprimentes. Apontam uma direção e sua pregação tem como objetivo manter as pessoas de pé, movidas pela fé, mesmo quando tudo parece perdido e destruído. São eles que vão apontar soluções e indicar a vontade de Deus, que nunca perde a confiança no ser humano. Deus continua apostando na mudança, na conversão da raça humana, porque Ele é fiel ao seu projeto de vida.

Hoje, o mundo está tomado por uma série de ondas negativas, como se tudo estivesse perdido. O papa Francisco nos alerta sobre o cuidado que devemos ter com os profetas da desgraça, que querem nos fazer acreditar na resignação, abatendo o ânimo e a esperança. São pessoas mal humoradas, desencantadas, sem o brilho no olhar, sem horizontes, sem projetos, simplesmente vivendo por viver. Apresentam um Deus que não existe, porque, como dizia Santo Irineu, ‘a glória de Deus é o homem vivente’. Ou seja, Deus não quer ver as pessoas derrotadas, caídas, sufocadas pelo peso da cruz, mas livres, de pé, mesmo entre adversidades, dificuldades e derrotas.

Seguir a palavra de Deus; seguir Jesus Cristo é ser no meio do mundo um profeta da esperança. Assim foi o Mestre, que veio libertar o ser humano do jugo da opressão, da pobreza, da exclusão, dos preconceitos, despertando em cada um o direito de viver. Se teve alguém neste mundo que acreditou no ser humano, sobretudo, no mais pobre e abandonado, este foi Jesus Cristo. Através de palavras, gestos e ações levantou os caídos, os desanimados, despertando neles a sede de vida, feita de fé e de coragem. Por onde ele passava, as multidões o seguiam e se aproximavam dele, queriam tocar nele, porque percebiam que ele espalhava uma energia positiva, uma fé incondicional em cada ser humano.

No mundo atual, tão marcado pela indiferença, pela depressão, por um vazio existencial, somos chamados, como cristãos, a sermos os profetas da esperança. A nossa vida deve exalar o perfume do otimismo, que nos move e nos projeta para frente. Animados pelo espírito de Jesus, somos a chama que não deixa a vela se apagar. Devemos manter acesa a esperança de um mundo melhor, mais humano e mais fraterno. Ser cristão é proclamar a vida que renasce no encontro com Jesus Cristo, na vivência em comunidade, no gesto de fraternidade e solidariedade com os mais pobres e necessitados. O mundo de hoje não é nem melhor e nem pior do que o mundo do passado, mas, é simplesmente diferente. Problemas sempre existirão, mesmo que não os queiramos, porque eles fazem parte da nossa vida. O que não deve morrer nunca é a esperança. Sejamos, neste mundo, os profetas da esperança.

Publicado na edição 1148 – 31/01/2019

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