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Semana Santa A semana do amor


A semana santa que estamos prestes a viver é também chamada de semana maior, porque a semana do amor de Deus, ilimitado por nós, até as últimas consequências, ou seja, morrendo na cruz para nos salvar. Muito se tem falado sobre as razões que levaram as lideranças religiosas e políticas da época a condenar Jesus à morte, de forma tão violenta e aterrorizadora. Pergunta-se: como pode um homem tão bom, tão compassivo, tão misericordioso, ser morto de modo tão cruel e sangrento? O que ele fez de tão errado para merecer uma morte tão violenta? É preciso que compreendamos um pouco mais o contexto histórico da época, para entendermos o que levou, sobretudo, as lideranças religiosas a decretar a morte de Jesus.

A religião professada e defendida pelos judeus era cheia de leis, de normas, de obrigações e de proibições. Os judeus, e, especialmente as lideranças religiosas, eram muito cuidadosas em cumprir todas as leis, e impunham este cumprimento a todos. Para tanto, o bem da pessoa humana ficava em segundo plano, pois o que contava era o seguimento da lei. A lei estava acima do ser humano, mesmo que esta estivesse oprimindo-o, porque era considerada como a vontade máxima de Deus. Os fariseus e os doutores das sagradas escrituras, de modo especial, eram os grandes defensores da lei, capazes de condenar uma pessoa, se esta fosse considerada fora da lei. Criavam nas pessoas medo e culpa, caso não cumprissem fielmente as leis criadas e impostas por eles.

Jesus, com o seu jeito de ser, de pregar a boa nova, através de palavras, gestos e ações, coloca o ser humano acima da lei. Para ele, o homem não foi feito para o sábado, mas o sábado para o homem. Ou seja, o homem não foi feito para a lei, mas a lei para o homem, e quando esta não está a favor do seu crescimento, do seu bem estar, deve ser desconsiderada. Nunca, ninguém tinha ousado enfrentar esta situação, colocando-se claramente ao lado, sobretudo, dos mais fracos, dos doentes, dos pobres e marginalizados. E mais, dizia que aquilo que ele fazia era a vontade de Deus, o seu Pai. Ele tinha sido enviado por Deus, para apresentar ao mundo o seu verdadeiro rosto, cheio de amor e de misericórdia.

A pregação do amor de um Deus sem limites, que veio para salvar e não para condenar; que veio para os pecadores e não para os perfeitos; que vai ao encontro da ovelha que se perde e faz festa quando a encontra, contrastou radicalmente com a pregação das autoridades religiosas. A religião por eles pregada não tinha nada a ver com a pregação de Jesus. Podemos dizer que foi a religião dos judeus que levou Jesus para ser condenado à morte. Ele se dizia Filho de Deus, ia contra a lei imposta fazia séculos, e anunciava um Deus plenamente diferente àquele pregado pelos fariseus e demais autoridades religiosas. Jesus foi fiel ao seu Pai até o fim, e por isso, não teve medo de continuar pregando o infinito amor de Deus, que o levou a ser pregado e morto na cruz.

Seguir Jesus significa fazer o que ele fez e amar como ele amou e agir como ele agiu, ou, como pregava São Vicente de Paulo, perguntar-se: o que Jesus faria se estivesse em meu lugar? Como seguidores de Jesus, longe de sermos legalistas, moralistas, cheio de normas, julgamentos e condenações, somos chamados a amar sem limites, como ele nos amou. Passar pela vida fazendo o bem, sendo solidários com os que sofrem, querendo sempre, e acima de tudo, a felicidade do próximo. A única lei que Jesus pregou e defendeu, foi o amor aos irmãos.

Publicado na edição 1158 – 11/04/2019

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