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Teve compaixão e cuidou dele!


A história do Bom Samaritano é emblemática para todo cristão. Claramente, Jesus ao contá-la, quis nos mostrar que o mais importante não é o culto, o sacrifício, as obrigações religiosas, mas, a misericórdia, o amor aos irmãos. Com isso ele não despreza de maneira alguma a importância da oração. O que ele quer simplesmente nos mostrar, que o amor aos irmãos e a caridade, está acima de tudo. E mais, a verdadeira oração, sempre leva a amar mais profundamente, do contrário, ela não é verdadeira, porque egocêntrica e intimista. O próprio Jesus vai dizer: a oração que agrada a Deus é aquela que leva a um compromisso de amor com os mais necessitados, ajudar as viúvas, socorrer os órfãos e os pobres.

O samaritano que viajava de Jericó a Jerusalém, vendo aquele sujeito caído ao chão, depois de ter sido assaltado e ferido, preocupa-se com ele, mesmo sem conhecê-lo. Leva-o até o hospital e, cheio de compaixão, paga suas despesas, porque está simplesmente preocupado com o seu bem estar. O sacerdote e o levita, religiosos fiéis, que passaram minutos antes, simplesmente o desprezaram, porque estavam atrasados para o culto. Para eles, o sacrifício era mais importante do que a misericórdia. Ou seja, os deveres religiosos, os preceitos estavam acima do amor ao próximo, sobretudo, àquele mais necessitado.

Ele teve compaixão, sentiu a dor e o sofrimento do próximo, mesmo sem nunca tê-lo visto em sua vida. A vida para ele estava acima do sacrifício, do rito, contrariamente àquilo que fizeram aqueles que iam para o Templo. São Vicente de Paulo, grande santo do século XVII, dizia para as irmãs, que, se encontrassem no caminho para a Igreja um pobre, um sofredor, deveriam dar atenção a ele e preocupar-se com a sua saúde. E isso não criar nelas o escrúpulo por não terem ido ao templo no domingo. Agindo assim, dizia ele, elas estavam trocando Deus por Deus. O Deus que elas buscavam no templo, encontraram presente no irmão sofredor.

Sentir compaixão é entrar no mundo do outro, sentir a sua dor e seu sofrimento, e, colocar-se aberto e disponível para ajudá-lo. O contrário é a indiferença, a frieza diante do problema do outro. Compaixão vem do latim com-padecere: padecer com, sofrer com o outro, sentir a dor do outro como se fosse minha. Algo muito difícil, sobretudo, no mundo em que vivemos. Tão egoísta e tão fechado em seus próprios problemas. Parece que o sofrimento do outro não nos atinge, não mexe conosco, pelo contrário, estamos cada vez sendo mais frios, insensíveis e indiferentes.

Jesus foi alguém que sentiu profundamente a situação dolorosa e sofrida do próximo. Toda sua vida foi colocada a serviço dos doentes, abandonados, marginalizados, explorados e rejeitados do seu tempo. Certa vez, diante da atitude dos fariseus com os mais simples e humildes, ele disse: ‘tenho compaixão deste povo; são como ovelhas sem pastor’. E em tantas outras situações ele exclamou: ‘não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes’. E mais: ‘quero misericórdia e não sacrifício’. Claramente, Jesus colocou sua vida a serviço daqueles, que, a exemplo do homem machucado, espancado e socorrido pelo samaritano, estão à beira do caminho, pedindo um auxílio, um pouco de pão e um pouco de atenção.

Sejamos neste mundo, sinais do amor de Jesus, colocando nossa vida a serviço do outro, do próximo, daquele mais necessitado. Peçamos que o nosso coração seja como o de Jesus, cheio de amor e de misericórdia. Sejamos semeadores do bem, não importa a quem.

Publicado na edição 1171 – 11/07/2019

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