Greve das Educadoras e Educadores Infantis de Araucária | O Popular do Paraná
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Greve das Educadoras e Educadores Infantis de Araucária

Senhores Pais!

Nós educadores infantis queremos garantir a qualidade para a educação dos seus filhos! Hoje nós não temos tempo para preparar as atividades pedagógicas necessárias para o desenvolvi­mento das crianças, já que não temos hora atividade regulamentada (tempo para preparo das aulas e atividades) e muitas vezes temos que fazer isso na hora do almoço, à noite e no final de semana.

A Secretaria de Educação nos cobra que esse trabalho seja rea­lizado, mas não nos dá condições para isso. Dessa forma, estivemos em Assembleia e deflagramos greve a partir do dia 17/04/18. Entendemos que chegou ao limite tantas reuniões realizadas com a Secretaria de Governo sem nenhuma resposta e ao menos a presença da Secretaria de Educação, parece pouco se importar com a situação caótica que os CMEI’s estão enfrentando.

Diariamente os pais conhecem as condições em que deixam seus filhos nos CMEI’s. Quando faltam professores em alguma turma, são os educadores que recebem as crianças e encaminham as atividades do dia. Assim como vários CMEI’s enfrentaram a falta de professores regentes e RMD’s até o chamamento do concurso, cuja ausência foi suprida pelo educador infantil. Sem os educadores infantis assumindo as turmas, muitos CMEI’s só iniciariam o ano letivo em abril.

O trabalho dos educadores é indispensável dentro das Unidades Educacionais, entretanto somos pouco valorizados e muito cobrados. É exigido que sejam realizados planos de aula, registros em livros de chamada, acompanhamento e avaliação das crianças, atividades estas inerentes dos professores. Mas acontece que os professores têm por direito a hora atividade, enquanto nós educadores até o momento só temos a obrigação sem ter o direito regulamentado.

Garantir a hora atividade aos educadores é sinônimo de melhores condições de trabalho, resultando na qualidade de ensino prestada às crian­ças desde as turmas do berçário ao Infantil V, a fim de planejar e avaliar o processo de ensino-aprendizagem.

Quanto ao cumprimento do calendário escolar, desde 2014, a Educação Infantil deveria seguir este calendário e não o civil, res­peitando os prazos de recessos e férias escolares. Deixamos claro que a nossa posição não é contra os espaços de colônias de férias, contudo, a prefeitura deveria pensar em organizar estes espaços com a finalidade recrea­tiva e cultural, e não educativa.

Por isso, não desistiremos do reconhecimento enquanto Professores da Educação Infantil. Não aceitaremos que sejamos tratados com distinção nos locais de trabalho, onde as cobranças são inúmeras e os direitos todos negados.

Não são os educadores que pre­judicam a população ao parar suas atividades, mas as políticas que o município adota ao reduzir a jornada em tempo integral para meio período. É o município que não planeja a curto e longo prazo a construção de novas Unidades para ampliar a oferta da Educação Infantil a todas as crianças. Quando o trabalho exe­cutado nos CMEI’s é reconhecido, é possível investir na qualidade do ensino e principalmente no desenvolvimento das crianças.

Se hoje, a categoria chega ao ponto de parar suas atividades, é porque esta administração tem feito como as anteriores: sucatear as Unidades e sobrecarregar os educadores infantis. Pensar na Educação Infantil requer responsabilidade por parte dos gestores, a fim de possibilitar as condições de trabalho necessárias para garantir a Educação Pública que os filhos dos trabalhadores deste município merecem. Nós, Educadores Infantis temos o compromisso e respeito diariamente com as crianças e realizamos nosso trabalho com seriedade e se estamos parando é para defender nossos direitos pelo trabalho que já realizamos.

Estamos lutando pela Educação Infantil!

 

Publicado na edição 1108 – 12/04/2018

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