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Ministro é demitido e MEC continua sem rumo no governo Bolsonaro


Dono de uma das maiores verbas destinadas pelo governo federal, o Ministério da Educação (MEC) está à míngua desde janeiro, quando Ricardo Vélez Rodriguez foi nomeado por Bolsonaro para comandar a pasta. Em apenas três meses à frente do ministério, Vélez ganhou mais notoriedade por se envolver em sucessivos escândalos do que por apresentar propostas concretas para a educação.

Nesse meio tempo, ele declarou que brasileiros se comportam como canibais quando visitam outros países; que as universidades deveriam ser apenas para uma “elite intelectual” e chegou a anunciar que os livros didáticos passariam por uma revisão para retirar as partes que narram o golpe de 1964, já que Vélez acredita que nunca houve uma ditadura no Brasil.

Em fevereiro, o então chefe do MEC enviou uma carta a escolas de todo o país pedindo para que alunos fossem filmados cantando o hino nacional. Como se não bastasse pedir para que crianças fossem filmadas sem autorização, prática que é proibida, ele utilizou na carta o slogan da campanha bolsonarista “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”, que também constitui prática ilegal.

Outro problema que chamou a atenção com relação à atuação do ministro foi o número de demissões na pasta de Educação. Logo que assumiu o cargo, Vélez demitiu o chefe do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE), Rogério Fernando Lot, e outros 9 comissionados da autarquia. Nas últimas semanas, mais 17 pessoas foram exoneradas – entre elas, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues.

Envolvido em tantos escândalos e sem conseguir controlar as brigas internas entre os “olavetes” e a ala militarista, além de ter passado vergonha após ser enquadrado pela deputada Tábata Amaral, que questionou o porquê de o ministro não apresentar propostas para a Educação, Vélez foi demitido por Bolsonaro nesta segunda-feira (8).

Indicado por Olavo de Carvalho, o ex-ministro da Educação é o retrato de um desgoverno que está no poder há exatos 100 dias e não tem ideia de como resolver os problemas relacionados à Educação.

No lugar de Vélez, agora entra outro “olavete” para assumir o MEC. Trata-se do economista Abraham Weintraub, que não tem experiência específica na área e, assim como o ex-ministro, defende a luta contra o “marxismo cultural” e a “ameaça comunista”.

Enquanto isso, 184 mil escolas padecem com a falta de estrutura, atingindo alunos da rede pública de todo país, e professores sofrem com a falta de recursos nas escolas e salários baixos, tendo que assumir cada vez mais aulas para poder sobreviver.

O que se pode esperar de um economista à frente da pasta de Educação?

Publicado na edição 1158 – 11/04/2019

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