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Solidariedade aos que lutam por morar com dignidade

O 1º de maio deste ano iniciou com a triste notícia do incêndio e desmoronamento de um prédio no Largo Paissandu, centro de São Paulo. Cerca de 150 famílias moravam no local. Ainda pouco se sabe sobre as causas ou mesmo sobre o número de mortos e desaparecidos, mas nem por isso a classe política e a grande imprensa esqueceram por um segundo a violação daquilo que considera mais sagrado: a propriedade privada.

O desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida escancarou uma realidade vivida pela parcela mais carente da população: em todo o país, muitos de seus habitantes não podem se dar ao luxo de pagar aluguel ou prestação de um apartamento. Ainda assim, a classe média e alta insiste em esquecer ou simplesmente ignorar isso.

As ocupações seguem a filosofia anarquista dos okupas (ou squatters), que surgiu na década de 60 na Europa. Eles assumem edifícios que estão vazios há muitos anos como ação política para denunciar o déficit de moradias para quem mais precisa, e como instrumento de pressão para que o poder público assuma uma política mais antenada com a urgência da sociedade.

O prédio abandonado desde 2001 pertencia ao governo federal e não cumpria nenhuma função social quando foi ocupado em 2012 por um movimento sem-teto. As primeiras notícias sobre o ocorrido vieram acompanhadas pela criminalização das mais de 300 pessoas que moravam no edifício. O atual governador pediu mais rigor do judiciário contra a permanência das ocupações. O já ex-prefeito João Dória fez questão de associar as vítimas da tragédia ao crime organizado.

Estas famílias, que já são vítimas da especulação imobiliária que se manifesta através de aluguéis que crescem rapidamente e de prédios vazios acumulando valor, estão desabrigadas e expostas à criminalização. As ocupações nada mais são do que uma resposta daqueles mais atingidos pelo projeto de desigualdade construído pelas classes dominantes.

Passando o fato midiático certamente as famílias terão a mesma falta de assistência que as levou a abrir com os próprios punhos um prédio abandonado. Certamente este episódio será utilizado pela classe dominante para acirrar o cerco às ocupações. Como já foi feito inúmeras vezes, serão utilizados laudos técnicos para decretar despejos e pressionar os movimentos politicamente.

Os movimentos seguem resistindo e ocupando, agora unidos em solidariedade, denunciando a responsabilidade do Estado e contra a repressão que está por vir.

Toda solidariedade aos que lutam por moradia digna!

Fontes: EL País e Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL.

 

Publicado na edição 1112 – 10/05/2018

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