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Cegueira mental

 

O leitor talvez já tenha passado por isso. Você está acompanhando alguma discussão, ouvindo alguma história, lendo algo e, de repente, as palavras ouvidas ou lidas vão se materializando em sua mente e você tem aquela sensação de que já ouviu ou viu aquilo em algum lugar. Sim, uma sensação de “déjà vu”.

Foi esta sensação que tive recentemente ao acompanhar os desdobramentos de acontecimentos como o projeto de lei do teto da RPV, a desocupação do imóvel público que servia a uma igreja, a correta decisão da Prefeitura de extinguir a Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC), dentre outras.

Os grupos envolvidos nestas discussões e a forma como terceiros se aproveitaram disso para tentar alcançar algum proveito político me levou a uma leitura que já havia feito há algum tempo: Ensaio sobre a Cegueira, do escritor português José Saramago. Araucária anda parecendo a quarentena onde os infectados pela cegueira de que trata a obra de Saramago eram postos. E, como no livro, neste ambiente, muitas pessoas vão revelando suas características mais primitivas, sempre buscando formas de obter ou manter suas vantagens, mesmo que para isso precisem ignorar valores morais e éticos, mentindo na cara dura, defendendo o indefensável, se fazendo de vítimas quando na verdade são os vilões e assim por diante.

Precisamos urgentemente tomar cuidado para não sermos infectados por essa cegueira mental. E, mais do que isso, trabalhar para curar os já contaminados. E precisamos fazer isto antes que a epidemia torne a cidade inteira cega, ainda mais em tempos que há muitas outras pautas polêmicas que precisam ser enfrentadas pela comunidade araucariense, sejam elas as adequações no plano de carreira dos servidores municipais, a necessária redução do número de cargos em comissão, a revisão do plano diretor que norteará qual é a Araucária que queremos viver e assim por diante.

São tantas as discussões importantes que precisamos travar que não podemos nos deixar ser contaminados por essa cegueira mental. Não podemos, em hipótese alguma, como disse certa vez o próprio Saramago, permitir que o egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas covardias do cotidiano contribua para que estejamos neste mundo, mas não o vejamos. Ou pior, que só vejamos a parte do mundo que nos interessa, aquela parte capaz de servir a nossos interesses, mesmo que isso signifique o prejuízo de, no nosso caso, uma cidade inteira.

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