Home / Colunas / Waldiclei Barboza / Começou errado

Começou errado

 

Ao longo das últimas semanas tenho visto as mais diversas manifestações com relação aos desdobramentos que levaram ao cumprimento de um mandado de reintegração de posse em favor do Município de uma área no jardim Pequim que era utilizada pela comunidade católica da região.
Particularmente, quando o assunto envolve a fé das pessoas sempre procuro ficar alheio à discussão, vez que é difícil tentar exercitar o direito sagrado à liberdade de expressão quando, na outra ponta, estamos diante de uma força tão poderosa quanto o modo como às pessoas exercitam sua religiosidade, sua crença em Deus.

Resolvi, no entanto, dar um pitaco nessa história que levou à desocupação do terreno da Capela de Nossa Senhora dos Navegantes porque tenho visto muitas pessoas, novamente, se aproveitarem da boa fé de uma comunidade católica como aquela do Porto das Laranjeiras para travar batalhas políticas, ou neste caso, politiqueiras. E como é triste ver isto acontecer, ainda mais quando a história dos povos nos mostra que todas as vezes que política e religião se misturaram o legado não foi nada positivo.

Ora, o processo de desocupação da Capela, com certeza, foi muito traumatizante para a comunidade católica de toda a cidade de Araucária, mas estamos diante de uma situação impossível de ser revertida. Logo, é criminoso, nojento até, ver alguns políticos, e/ou formadores de opinião de uma maneira geral, tentando plantar uma falsa esperança nessas pessoas de que ainda é possível manter a posse daquele imóvel.

Nunca é bom que aquela comunidade esqueça, aliás, que a culpa do prejuízo financeiro causado a quem contribuiu com a construção da capela em terreno de terceiro não é do gestor atual e sim daquele que, lá atrás, permitiu que a obra fosse iniciada. A culpa do prejuízo de agora é e sempre será de quem autorizou a utilização de uma área que não era dele para construção de uma igreja. E, acreditem, esse político não fez isso porque era temente a Deus e sim porque foi um crápula, oportunista, que muito possivelmente estava interessado apenas em iludir aquelas pessoas para ter-lhes o voto e para isso usou da boa fé desses cristãos. Tanto é que esse sujeito nunca ousou documentar a cessão do imóvel. E nunca fez isso porque sabia que se tratava de um ato ilegal.

Do mesmo modo, foi essa insistência em acreditar em políticos e não na lei que está fazendo com que a comunidade sequer possa retirar as benfeitorias erguidas naquele imóvel. Isso porque, quando da sentença que mandou desocupar o imóvel, a Justiça deu trinta dias para que os responsáveis fizessem a retirada do que quisessem da área. Passado esse prazo, tudo o que estivesse sobre aquele espaço seria incorporado ao patrimônio do Município. Talvez crendo que tudo se resolveria na base de novas promessas, mesmo com a história tendo já mostrado que acreditar em promessas era um erro, ninguém desmontou a capela para reaproveitar o material. O prazo findou-se e hoje nem os blocos de concreto das paredes ou a estrutura metálica da cobertura pode ser levada.

Obviamente, como cristão que sou, fico também triste por ver irmãos de fé perdendo o espaço de congregação. Porém, como cidadão, fico satisfeito em ver a lei mostrando que os políticos de nossa cidade não podem fazer o que bem entendem com o patrimônio que não lhes pertence. Hoje, obviamente, o modo como a Justiça demonstrou sua primazia diante da promessa politiqueira não traz felicidade à comunidade católica local. No futuro, no entanto, isso servirá de arma para todos os cidadãos de bem desta cidade cobrarem que a lei seja simplesmente cumprida e Araucária seja um município melhor para todos, independentemente de seu credo!

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

Sobre Redação

Redação

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos marcados com * são obrigatórios *

*