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Procurando história no palheiro


Henrique Czaikowski demonstrando invólucro de palha para transportar garrafa, 2011. Acervo do Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres

Você já parou pra pensar em como era a vida antes de existir o plástico? O plástico, obtido através do refino do petróleo, está presente em nossas vidas de forma significativa desde a década de 1950, quando começou a substituir maciçamente as mais diversas formas de embalagem. Até então muitos produtos eram acondicionados em embalagens de vidro, produto de fácil quebra. Agora pense em como era feito o transporte dos mais variados produtos embalados em vidro, quando não existiam os engradados como conhecemos hoje.

Em Araucária até a década de 1950, antes da exploração industrial do petróleo, o meio de transporte que imperava eram as carroças. Vamos considerar que o asfalto também é produzido a partir do petróleo, e que até então as estradas eram basicamente de chão, ou, no máximo, pavimentadas com paralelepípedos. Agora vamos imaginar as carroças passando por essas estradas, transportando garrafas de vidro. Imaginou chegando tudo em caquinhos? Mas para isso dava-se um jeito.

Após a chegada dos imigrantes europeus, no final do século XIX, a produção de trigo e centeio aumentou vertiginosamente em Araucária, e a palha que restava era descartada. Visando aproveitar essa matéria-prima tão abundante, surgiram as primeiras “fábricas de palhões”, que produziam invólucros de palha para acondicionar as embalagens de vidro para transporte.

A primeira fábrica de palhões do Brasil foi construída em Guajuvira, em 1902, pelo alemão Carl Gustav Koehler, com o nome Koehler-Asseburg. Alguns anos mais tarde, Koehler abriu mais uma fábrica no Barigui, mais próxima da Colônia Thomaz Coelho, e, portanto, da matéria-prima. Sua fábrica em Guajuvira, por sua vez, foi adquirida em 1939 por Bogdan Wagner e passou a produzir, também, esteiras de palha para transportar frutas, vindo a encerrar suas atividades somente em 1986.

No Barigui, na década de 1930, a fábrica de palhões de Casemiro Batori iniciou suas atividades, e, alguns anos depois, passou para as mãos de Vitório Sfendrych, cujo nome ficou bastante conhecido na região, e dá nome à escola do bairro, criada em 1970 em terreno doado pelo próprio. Existiram, ainda, as fábricas de palhões da família Pianoski no Barigui, da família Jess e da família Wzorek no bairro Estação, de Ladislau Nowitski em Thomaz Coelho, e na colônia Ipiranga a fábrica Kuhn & Wagner.

As fábricas de palhões, além de gerar renda aos agricultores, também empregavam mão de obra em diversas funções, como a de costurar, amarrar, limpar as palhas, prensar, além dos mecânicos que faziam a manutenção das máquinas. O senhor Henrique Czaikowski, em entrevista ao Arquivo Histórico em 2011, contou que seu pai era mecânico da fábrica de palhões de Bogdan, e ele próprio trabalhou ali transportando esteiras de palha.

Atualmente restam poucas das construções que abrigavam as fábricas de palhões, que permanecem como testemunhas de um tempo em que o mundo era mais sustentável e menos dependente do plástico.

Texto: Luciane Czelusniak Obrzut Ono

Publicado na edição 1175 – 08/08/2019

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