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Apesar de serem de “luxo”, carrões da Guarda não custam lá essas coisas

Audi tem preço estimado em R$ 59 mil e Volvo em R$ 66 mil

Nos últimos dias muito se falou em Araucária a respeito das novas viaturas que a Guarda Municipal está utilizando. São dois carros tidos como de luxo, cedidos pela Vara Criminal da Comarca. Ambos foram apreendidos no curso de uma ação da Polícia Federal, que prendeu em outubro do ano passado um grupo de traficantes no momento em que eles entregavam alguns quilos de cocaína na região do bairro Costeira.
Apesar do impacto visual que o Audi A4 2.0 e o Volvo XC60 2.0 causam em quem os vê trafegando pelas ruas de Araucária com o brasão da Guarda Municipal, os carros cedidos não são lá muito caros. Custam, aliás, mais barato do que algumas viaturas já utilizadas pela GM. E cerca de 1/4 do preço das viaturas Toyota utilizadas pela Polícia Militar. O Audi, por exemplo, cujo ano de fabricação é 2011, tem valor de mercado de R$ 59.989,00. Já o Volvo, também 2011, está avaliado em R$ 66.181,00. Ambas as avaliações têm como base a tabela FIPE e foram feitas por nossa reportagem no início da manhã de ontem, 12 de abril.
O dado sobre o valor de mercado dos carros é importante porque, ao longo dos últimos dias, muita gente questionou porque os automóveis não foram leiloados e, com o valor obtido, comprado viaturas “normais” para a Guarda Municipal. Algumas pessoas, inclusive, chegaram a dizer que seria possível comprar vários veículos com a grana obtida com a venda do Audi e do Volvo. A verdade, porém, é menos charmosa, mais dura, sem graça e não renderia tantos comentários nas redes sociais. Isso porque, normalmente, em leilões judiciais, os carros costumam ser vendidos a preços até 30% menores ao da tabela FIPE. Ou seja, no final das contas, a grana obtida com o leilão daria para comprar, com sorte, três viaturas “normais” para a GM.

Outro detalhe que impede o leilão dos carros de luxo é que a ação penal em que são réus os proprietários dos veículos ainda não foi concluída. A tendência é que o juiz Sérgio Bernardinetti profira sentença nestes autos até o final do semestre. No entanto, a partir daí, caso os acusados sejam mesmo condenados, ainda haverá possibilidade de vários outros recursos por parte da defesa, o que fará com que o fim do processo seja postergado por muito tempo ainda.

Um eventual leilão só poderia ser autorizado ao final disso tudo. E foi justamente por conta deste tempo para conclusão dos processos judiciais que a lei mais recente de combate ao tráfico de drogas autorizou os magistrados a cederem bens apreendidos no curso de ações desse tipo às forças policiais. No caso específico das viaturas de luxo, o magistrado – por ora – autorizou que a Guarda faça uso destes carros, sendo que – só ao final do processo – caso seja confirmado o chamado perdimento dos bens pelos acusados, que passarão a ser condenados, é que os carros serão transferidos em definitivo à propriedade do Município.

 

De onde vieram os carros?

Os carros cedidos à Guarda Municipal pela Vara Criminal de Araucária foram apreendidos no curso de uma ação da Polícia Federal, que apura os crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico de drogas e transporte de arma de fogo de uso restrito e com numeração suprimida. Os crimes teriam sido praticados por Fernando Henrique Vasconcelos, Rodrigo Alves Florentino e Ademir Rodrigues, sendo que apenas este último é residente em Araucária.

A ação da PF aconteceu em 11 de outubro do ano passado. Naquela oportunidade, agentes da corporação receberam uma denúncia anônima de que traficantes que atuavam na região do Pinheirinho estariam trazendo cocaína do Paraguai, a qual seria entregue para Ademir aqui em Araucária, num comércio chamado Oficina do Gole, que fica no bairro Costeira.
Diante da denúncia, agentes da PF foram ao local por volta das 8h e abordaram Fernando quando ele estacionou um veículo Crossfox em frente ao endereço repassado na denúncia. Esse Crossfox, aliás também foi cedido à Guarda Municipal há algumas semanas. Quando revistaram Fernando encontraram numa mochila que estava com ele 4,3 quilos de cocaína. Foi Fernando quem disse aos policiais que entregaria a droga para Ademir, que inicialmente fugiu da polícia.
Ainda nesta operação, Fernando admitiu que havia mais drogas em sua casa, localizada no bairro Pinheirinho, em Curitiba. A PF então se dirigiu ao local e lá encontrou outros 25 quilos de cocaína. Na casa de Rodrigo, também em Curitiba, foram outros diversos documentos, aparentemente relativos à contabilidade do grupo. Além disso, a PF encontrou quase R$ 100 mil em dinheiro, joias, notas de euros, entre outros objetos.
Ao longo do inquérito instaurado pela PF, é que foram localizados os veículos de luxo doados recentemente para Guarda, sendo que eles estavam em nome de terceiros.

Texto: Waldiclei Barboza / Foto: Everson Santos

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