Lembro-me das vezes em que a professora chegava à sala de aula com uma caixa cheia de chocolates Sonho de Valsa, ou, nos tempos das vacas magras, Moranguete mesmo. Ela caminhava pelas fileiras da sala, deixava um docinho sobre a mesa de cada aluno e avisava “é um pra cada e não é pra comer agora!”. Grampeado à guloseima, um pedaço de papel, cortado com aquela tesoura triangular, nos desejando os parabéns pelo Dia do Estudante. Ficávamos todos faceiros. Para complementar as homenagens pela data, ainda éramos agraciados com um “lanche especial” na hora do recreio. “Foi a Secretaria de Educação que mandou”, creditava a professora. Normalmente o lanchinho era um cachorro quente com um copo de refrigerante, sem direito à repetição.

A lembrança acima é mais um dos traumas que guardo dos meus tempos de escola. Digo trauma porque – por mais que me esforce – não consigo lembrar de outra atividade proporcionada pela unidade em alusão ao Dia do Estudante. Mas, deixemos isso pra lá, pelo menos por enquanto. Feito o meu desabafo, lembro que amanhã, quarta-feira, é 11 de agosto, Dia do Estudante. E isto me fez questionar: será que as coisas mudaram desde os meus tempos de ensino fundamental e médio?

Penso que não. Agora, para se ter uma ideia, deram um jeito até de fazer com que os alunos estejam em férias no seu dia. Será que estão economizando até com o chocolatezinho e o “lanche especial”? Brincadeira à parte, é de se lamentar o estado atual da Educação em Araucária. Há muito que nossos alunos não têm os duzentos dias letivos obrigatórios de efetivo trabalho em sala de aula, como exige a legislação brasileira. Há muito que eles não iniciam o ano letivo com o quadro de professores completo. Há muito que qualidade do ensino, medida por indicadores oficiais, aponta que somos um completo fracasso acadêmico. Há muito que não temos gestores competentes na Secretaria de Educação. Há muito que nossos alunos estão saindo das salas de aula sem a mínima condição de encarar o mercado de trabalho e de serem cidadãos. Enfim, há muito que estamos desperdiçando entre 25 e 30 por cento do nosso magnífico orçamento.

Pensando bem, é bom mesmo que os alunos estejam em férias no seu dia. Afinal, o chocolate do descaso e o lanchinho do desrespeito que eles ganhariam teria um gosto muito amargo. Exceto, claro, que suas bocas já estejam amortecidas com anos e anos de ensino de péssima qualidade.

E vocês, amigos leitores, o que pensam sobre o assunto. Deem sua opinião e até semana que vem!

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