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A greve das educadoras/es infantis é suspensa, mas a luta continua!


No último dia 30 a categoria das educadoras/es infantis decidiram em assembleia suspender a greve que durou 14 dias. As reivindicações prioritárias do reco­nhecimento da categoria como profissionais da educação infantil, a hora atividade e o direito a seguir o calendário escolar, NÃO foram atendidas na sua totalidade. Mas foi com muita luta e resistência que a categoria conseguiu arrancar da gestão quatro horas de hora atividade (10% da jornada) para que as educadoras I e II executem o planejamento, organização e desenvolvimento das atividades pe­dagógicas. Tal deliberação deverá ser feita através de uma normativa conforme a fala do Secretário de Educação Henrique Theobald, mediante a entrega do ofício ao sindicato neste dia.

A categoria entende que quatro horas não é o suficiente para organizar o planejamento e, que irão discutir em uma comissão paritária, com representantes do sindicato, educadores e governo, os pontos do reconhecimento e reestruturação da carreira dos educadores/as, assim como 33% da hora atividade prevista em Lei Federal 11.738/08. O calendário escolar também será discutido nesta comissão, considerando a demanda atendida no período de férias.

Além do avanço conquistado através do movimento de greve, tivemos o exemplo claro de que só há conquistas quando se luta. Esta data antecedeu ao 1° de Maio, dia dos trabalhadores, que simboliza a luta pelos direitos trabalhistas e a redução da jornada de trabalho, passando de doze para oito horas diárias. O exemplo deixado nestes 14 dias de greve dos educadores/as infantis, majoritariamente composta por mulheres, nos mostra o quanto as mulheres trabalhadoras precisam defender e conquistar direitos, e que fazem parte da classe trabalhadora, e são elas as mais afe­tadas pela sobrecarga do trabalho, além do trabalho doméstico. As educadoras enfrentaram o preconceito, a desvalorização e iniciaram um novo tempo na Educação Infantil do Município, o tempo de descontruir a “romantização” de que o trabalho se faz só por amor. Durante esse período da greve a categoria se mostrou firme na luta e preparada para voltar a paralisar a qualquer momento, caso o governo descumpra o andamento das negociações.

Cada CMEI deve oferecer condições suficientes, principalmente quando se trata de educação, devendo considerar o desenvolvi­mento da criança e o conhecimento científico, sem deixar de acolher e respeitar as necessidades de cada criança. As educadoras mostraram que todo o esforço que tiveram em se formar e se especializar devem ser reconhecidos e que a Educação Infantil faz parte da educação básica, as crianças de 0 a 5 anos têm direitos e devem ser respeitados.

A categoria se fortaleceu com o apoio dos pais e a população, buscaram assinaturas para o projeto de iniciativa popular a ser encami­nhado para Câmara Municipal com as pautas de reinvindicação. Os pais compreenderam que apesar de te­rem sido afetados com a paralisação dos serviços, a pauta era por me­lhores condições de ensino para os seus filhos.

Isso foi só o começo da luta pelo reconhecimento dos educadores/as como Professores da Educação Infantil. Firmes!

 

 

Publicado na edição 1111 – 03/05/2018

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