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A importância da nossa voz


• sismmar •

Na coluna anterior, tratamos da exploração do sistema capitalista e sua relação com a corrupção. Hoje falaremos de movimentos recentes que ocorreram em protesto à questão mas que, de forma geral, sofreram distorções ou não foram tratados com a importância que tinham.

Em grande parte, os protestos começaram a acontecer mais enfaticamente em 2013, em forma de denúncias contra a corrupção. Mas isso ocorreu porque os trabalhadores perceberam que estavam tendo seus direitos mirrados, enquanto que o Estado e a burguesia cresciam consideravelmente.

A questão se perdeu quando dentro disso, a mídia e a direita se apropriaram dos discursos, colocando os trabalhadores uns contras os outros, numa dinâmica de: petista e anti-petista, como se esquerda e direita se resumissem a isso.

A esquerda é um movimento que visa lutar pelos direitos da população, numa lógica de igualdade, onde se o trabalhador tudo produz, tudo a ele pertence. Não faz sentido, por exemplo, pagar tão caro num carro que você mesmo está produzindo.

Nas ondas de protestos de 2013, a imensa maioria dos cidadãos protestava justamente reivindicando direitos, bens públicos e democracia radical. Era claro o conceito de que fazemos parte de um sistema econômico político imoral. Em todos os protestos, havia um desejo de justiça e transparência.

Ao se apropriar dos discursos, a direita partiu diretamente aos ataques diretos ao PT, encontrando ali, junto com a grande mídia, a brecha política para desestabilizar o governo. A corrupção é histórica e não foi criada pelo PT, que por outro lado também não rompeu com ela e adotou equivocadamente a tese de negação em seu discurso, o que acabou por frustrar muitos militantes. Ainda nessa lógica, passou a classificar as pautas simplesmente como sendo golpistas, sem avaliar todo o movimento de insatisfação histórico que moveu os brasileiros que tinham ido às ruas no primeiro momento.

Ao invés de canalizar a insatisfação popular e retomar a bandeira de luta, foi praticado o caminho oposto, e acabamos perdendo a batalha e a narrativa.

O Brasil tem um alto índice de percepção da corrupção e a sociedade civil – muito antes de das Jornadas de Junho de 2013 ou do impeachment – vem se organizando para desenvolver mecanismos de maior . Se a corrupção é altamente percebida entre a população, o que é preciso fazer é oferecer respostas sobre o fenômeno, e não menosprezá-lo. Quem ganha com nosso silêncio é a direita, que capitaliza essa energia para a criação de juízes heróis, desvia o debate para seu próprio interesse e, finalmente, coloca-se como a defensora da ética enquanto, na prática, representa a perpetuação das elites oligárquicas, corruptas e mafiosas que governam o Brasil há séculos.

Publicado na edição 1123 – 26/07/18

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