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A lição que os caminhoneiros deram ao Brasil



O Brasil parou. E agora os caminhoneiros estão voltando para casa, voltando a tocar a vida, voltando para a sua rotina. Foram dias em que esses guerreiros das estradas mostraram a força do povo quando se une em torno de uma causa. Mas, depois de tudo o que aconteceu nos últimos dias, será que avançamos? Será que haverá mudanças efetivas? Ou tudo continuará como está?

Torço para que esta última semana sirva como uma grande lição para todos nós, que devemos nos manter sempre mobilizados contra as injustiças e os abusos do poder público e do poder econômico. Torço ainda mais para que o acordo proposto pelo governo federal seja realmente cumprido e não caia no esquecimento.

É preciso continuar lutando contra os elevados valores do IPVA (e demais impostos), do aumento da gasolina (que já é uma realidade), da cobrança abusiva dos pedágios (especialmente, no Paraná) e todas as demais reivindicações da categoria. A todos os caminhoneiros do Brasil, meus parabéns pela força demonstrada!

O que vimos nesses dias foi o poder do trabalhador brasileiro e o completo desgoverno da atual administração federal. Isso porque o governo foi alertado há mais de um ano. Mas o poder público minimizou o movimento e, ao invés de saber dialogar e negociar as demandas justas dos caminhoneiros, quis atuar com a força.

A direção da Petrobras, desde outubro de 2016, adotou uma nova política de ajustes de preços dos combustíveis que vem prejudicando o mercado interno. Estive em diversos pontos de rodovias com bloqueios e constatei que o problema não é apenas o custo do combustível. Para os caminhoneiros, pesam a manutenção do veículo (um pneu custa quase 2 mil reais), o elevado IPVA, multas, valor de CNH, entre outros itens.

Mas foi a indexação do preço do petróleo ao dólar o grande erro de Pedro Parente, presidente da Petrobras. Conforme matéria da jornalista Camilla Veras Mota, da BBC Brasil, “desde julho do ano passado, quando os preços da Petrobras passaram a acompanhar as oscilações internacionais, a variação do dólar e da cotação do petróleo são as principais influências sobre o valor praticado nas refinarias”.

O resultado é que, segundo a Associação dos Engenheiros da Petrobras, quem saiu ganhando foram os produtores norte-americanos, que passaram a vender o produto mais barato para o Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobras, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação.

Diante dessa situação, é que apoio o imediato afastamento de Pedro Parente da presidência da Petrobras. Até porque me assusta o acúmulo de funções e relações com empresas privadas. Além de presidente da Petrobras, Pedro Parente preside o Conselho de Administração da BRF, que é uma das maiores companhias de alimento do mundo e cujos caminhoneiros foram também fortemente prejudicados pela política de preços dos combustíveis.

 

 

Publicado na edição 1115 – 30/05/2018

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3 comments

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    Ivonete da Rocha Arruda

    Concordo plenamente com o Dr. Rubens Recalcatt que a população não apoiou os caminhoneiros como deveria penso eu quando alguém para é está na luta está não é só por sua categoria,mas sim por uma nação, e isso é quando não encontram apóio.Quero aqui deixar meus parabéns para os caminhoneiros que pararam por estes dias,que Deus abençoe vocês e suas famílias.

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    Os goverbantes devem respeitar o povo, eles estão no poder porque o povo confiaram neles, então eles tem que corresponder a confiança do povo e saber o povo é quem paga o sario deles, ao estipular o salário deles devem consultar o povo sobre o tal aumento ou reajuste do salário. Acho que a maioria dos brasileiros não sabem qual é o valor que um parlamer recebe como salário, o povo tem que saber o valor e porque tem que ser esse valor.

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    Júlio Telesca Barbosa

    Parabéns, Deputado Recalcatti, por sua correta leitura da conjuntura atual. Será que os demais políticos de Araucária; os comerciantes; empresários; agricultores e etc… não estão enxergando o que se desenha para o futuro? Com a atual política de preços e a venda do controle da REPAR que pode cair em mãos estrangeiras, pode ser que seja mais lucrativo para o novo proprietário da refinaria importar ainda mais combustível encerrando ou diminuindo drasticamente a produção local. Como ficará o custeio da máquina pública local? E os empregos diretos e indiretos? E o custo da produção?
    Ainda há tempo de evitar o desastre total!

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