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A oração que agrada a Deus

Como seres humanos, somos necessitados da presença e do amor de Deus em nossas vidas. Somos incompletos, imperfeitos, frágeis e limitados, e em Deus, encontramos a plena realização. Sem ele, a vida torna-se vazia, onde tudo é permitido, levando-nos tantas vezes a uma verdadeira falta de sentido. A sua presença nos aponta o caminho a seguir, nos leva a refletir nossas decisões e nossas ações. Sem ele, tudo é relativo, onde cada um é o parâmetro de tudo, como se tudo dependesse única e exclusivamente da sua vontade e dos seus desejos. Pelo contrário, movidos pelo seu amor, buscamos diariamente estar atentos àquilo que está de acordo ou não com os seus planos, e agir a partir da sua vontade.


No entanto, para sabermos o que Deus quer de cada um de nós, necessitamos ter um coração humilde. O orgulhoso se afasta do rosto de Deus, pois se julga o senhor de todas as ações, onde tudo depende única e exclusivamente de suas decisões. Estar atento e agir a partir da vontade de Deus requer muita humildade. A história do fariseu que rezava no templo demonstra claramente esta atitude arrogante de quem se sente perfeito, porque seguidor da lei, e, por isso, no direito de julgar e condenar. Olha para o publicano, e o despreza, porque julgado por ele um grande pecador. A sua oração é de diminuição do outro e, ao mesmo tempo, de elevação de si próprio. Duas atitudes totalmente condenáveis por Jesus Cristo.

A oração que agrada a Deus parte de um coração que se considera pecador, e, por isso, necessitado do seu amor, na certeza de que ele pode ajuda-lo, por causa da sua grande misericórdia. No fundo, esta deveria ser a atitude de todos nós, porque somos pecadores, frágeis e tantas vezes erramos, mesmo quando não queremos. Faz parte da nossa natureza humana, tão limitada e frágil, cairmos, nos desviarmos do caminho certo, e, tantas vezes, fazermos o mal ao nosso próximo, através de palavras ou ações.

Somente um coração humilde é capaz de reconhecer-se pecador. O orgulhoso, o arrogante, sempre se considera certo e busca justificar perante o outro as suas boas ações. E, caso tiver alguma falha, algum erro, é incapaz de reconhecê-lo, e, tantas vezes busca um bode expiatório para colocar como o culpado. Ele sai ileso, como se fosse eternamente perfeito, o melhor marido, o melhor cristão, o melhor pai, o melhor em tudo. É triste perceber que na Igreja encontramos tantos cristãos que se colocam assim diante dos outros, e, pior, por se julgarem os perfeitos, se acham no direito de julgar e condenar os pecadores.

Existem dentro de nós duas atitudes opostas à humildade: a presunção de sermos santos diante de Deus e o sentir-se melhores do que os outros. O orgulhoso se basta a si mesmo, não precisa de ninguém. O orgulhoso olha para Deus como alguém que lhe deve favores. O orgulhoso se serve do próximo sem servi-lo. Jesus, na parábola do fariseu e do publicano que rezavam no templo, ensina-nos que o único modo correto de pôr-nos diante de Deus, na oração e na vida, é o de sentir-nos criaturas, necessitadas de sua misericórdia, de seu perdão amoroso, criaturas em tudo dependentes dele, a quem, devemos servir com humildade e confiança.

A criatura não vive sem oração. Há formas diferentes de oração, mas todas elas pressupõem um coração necessitado, aberto ao Pai do Céu, porque é aos pequenos e pobres que Deus se revela, é sobre os simples e humildes que desce a plenitude da paz.

Publicado na edição 1186 – 24/10/2019

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