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A rotina de uma Delegacia com falta de estrutura



Li com muita satisfação em edição recente deste O Popular que a Delegacia da Mulher e do Adolescente de Araucária está para ganhar um reforço de pessoal. No caso, um escrivão será deslocado para lá na tentativa de amenizar o acúmulo de serviços, que hoje é todo realizado por uma equipe reduzida. A boa notícia veio junto com a nova titular da unidade, delegada Gabrielle Berwig Amaral, que substituiu a delegada Hastrit Greipel, que realizou um grande trabalho nos últimos anos, apesar das conhecidas dificuldades enfrentadas nas Delegacias no Paraná.

Os problemas da Delegacia da Mulher de Araucária se repetem em todo o estado: falta de pessoal, estrutura precária, poucos treinamentos, uso restrito de tecnologia, entre outros – além, é claro, do grave problema da superlotação de presos em celas inadequadas e que deveriam ser provisórias. De todo modo, quando há uma troca de titular numa Delegacia, independente do bom trabalho realizado anteriormente, sempre se renovam as expectativas de uma melhoria na rotina policial.

Em matéria de fevereiro passado, O Popular contou os dilemas que a então delegada sofria. Segundo Hastrit, o efetivo da unidade era “escasso” e composto por quatro investigadores (dos quais apenas dois seguiam na função) e dois estagiários. Não havia nenhum escrivão. Pela demanda e volume de trabalho, o ideal (ou algo próximo disso) seria haver pelo menos 2 escrivães, 6 estagiários e 6 investigadores. O resultado é que se torna humanamente impossível dar conta de todo o trabalho.

Nas últimas semanas da gestão de Beto Richa, foi anunciada a realização de concurso público para contratação de 100 agentes públicos – embora a demanda seja de pelo menos 300. Mas estamos ainda na expectativa. A nova administração estadual ainda não deu sinais de que vá dar continuidade ao lançamento do aguardado edital. De todo modo, desejo à nova titular da Delegacia da Mulher e do Adolescente de Araucária todo o sucesso e que conquiste as melhorias que a unidade necessita. Seja bem-vinda e, como profissional que já atuou na cidade, asseguro que este é um local de gente abençoada e que muito lhe apoiará.

ACIDENTE – Tenho ainda que fazer dois registros lamentáveis. Na madrugada de segunda-feira, recebi a notícia da morte do investigador Philipe Araújo Costa da Silva Rego, de apenas 35 anos. Ele foi encontrado morto em seu apartamento com claros indícios de cometimento de suicídio. Com isso, já são três os policiais civis que tiraram a própria vida somente neste ano. Lamento muito essas mortes. Mas acho também que é chegada a hora de as Polícias Civil e Militar e as Guardas Municipais definirem uma rígida política de acompanhamento psicológicos desses profissionais.

Por fim, na outra ponta, tivemos a morte também do investigador Victor Hugo Martins, de 38 anos, cujo veículo que dirigia na noite da mesma segunda-feira se chocou contra um ônibus na Rodovia do Xisto. Victor Hugo era lotado na Delegacia Geral de Araucária, onde era muito querido e considerado um profissional competente e de futuro. Ele morreu no cumprimento da função e estava numa Parati de uso da unidade policial. Às famílias dos dois policiais, os meus mais profundos sentimentos.

 

 

 

Publicado na edição 1117 – 14/06/2018

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