Desde que eu era funcionário concursado da Prefeitura de Araucária, isso entre 2005 e 2011, me incomodava a falta de uma política séria de tecnologia da informação no Município. Irritava-me a quantidade de retrabalho que éramos obrigados a fazer simplesmente porque sistemas de informática não conversavam entre si ou, pior, em razão da falta de softwares para executar certas tarefas, o que – invariavelmente – fazia com que apelássemos para as tabelas do Excel.

Esta semana, quatro anos após eu ter deixado a Prefeitura e dez após o início da minha indignação com a falta de priorização com que nossos gestores tratavam a informática, mesmo estando em pleno século XXI, me vi novamente “de cara!” ao constatar que, enquanto Município, continuamos anos luz atrasados no que diz respeito à tecnologia da informação. Digo isto porque, sabe-se lá ainda por qual razão, nos últimos dias o comércio local e praticamente todas as secretarias municipais pararam em razão de uma pane nos sistemas de informática da Prefeitura. Softwares como os que regulam a emissão das notas fiscais eletrônicas, portal da transparência, emissão de empenhos, agendamento de consultas e outros simplesmente ficaram inacessíveis.

Embora seja inaceitável que uma situação como essa tenha acontecido numa cidade como Araucária, com uma movimentação orçamentária próxima a um bilhão de reais anuais, com cinco mil funcionários públicos e mais de cem mil habitantes, é preciso admitir que foi sorte isto não ter acontecido antes. Acontece que não há na Prefeitura qualquer tipo de trabalho sério com relação à tecnologia da informação. Para se ter uma ideia, o Município sequer tem em seus quadros técnicos de informática concursados. O setor de informática nada mais do que um amontoado de meia dúzia de curiosos, que “manjam de computador”. E isto não é uma crítica a estas pessoas, que na verdade acabam sendo os salvadores da pátria numa terra de cegos cibernéticos.

A ridícula política de tecnologia da informação existente no Município faz com que, invariavelmente, a cidade fique a mercê de empresas desenvolvedoras dos mais variados soft­wares necessários para fazer a folha de pagamento rodar, ou os sistemas de contabilidade, empenho, nota fiscal eletrônica, controle de medicamentos, agendamentos de consulta e assim por diante. Como tudo na vida, há empresas nesse ramo sérias, mas há também as picaretas e justamente por isso é que, mesmo carecendo dos serviços fornecidos por todas elas, o Município jamais poderia ficar refém delas. Precisaríamos de um setor, uma secretaria com profissionais capacitados para gerenciar todos esses sistemas, ter a palavra final sobre o que está acontecendo.

Qualquer gestão hoje que almeje ter sucesso precisa de um setor, uma secretaria até, com autonomia e expertise na área, para dar o suporte necessário para que todos os demais setores da administração pública possam desempenhar a contento suas atividades fim. Sem exagero, um profissional de informática nos tempos atuais é tão importante (ou mais) para a cidade como um médico o é num posto de saúde ou um professor numa sala de aula.

Então, prezados, já passou da hora de termos uma Secretaria de Tecnologia da Informação, assim como Curitiba tem sua Secretaria de Informação e Tecnologia, ou o Governo do Estado tem sua Celepar, ou mesmo a União tem o Serpro. E, enquanto não efetivarmos isso, continuaremos batendo cabeça com questões simples, continuaremos tentando, como uns bobos, reinventar a roda.

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