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Ânsia de chegar

Diversos são os meios de transporte que nos permitem viajar com conforto e rapidez, mas nota-se que muitos viajantes preferem aqueles que proporcionam maior contato com o caminho percorrido. É esta vivência próxima com pessoas, paisagens e culturas que faz tantos se aventurarem a percorrer longas distâncias a pé, de bicicleta, de moto, a cavalo ou por outros meios que até poderiam ser classificados como desconfortáveis. Viajar de automóvel não permite o contato dos pés do viajante com a água fresca dos riachos cantava o Rei do Baião, o lendário Luiz Gonzaga. Aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir a linda melodia e a letra significativa da música “Estrada de Canindé”, de autoria de Gonzaga e Humberto Teixeira, compreenderão o que quero dizer assim que ouvi-las. A vida é uma viagem e o momento que esta etapa terminará não é do nosso conhecimento e independe da quantidade de lugares que visitamos ou da distância percorrida. Mesmo as pessoas que tem fé na existência de outro plano, no qual a essência imortal do indivíduo continuará a existir, reconhecem a importância decisiva da trajetória percorrida por nosso corpo material. O caminho percorrido é definido por ações, escolhas e rumos que damos à existência neste mundo conhecido. É óbvio que não escolhemos conscientemente os caminhos que nos levam as piores viagens e às consequências funestas que trazem. Por isso é que precisamos estar sempre buscando a melhor orientação para nossa viagem. Esta direção pode vir dos estudos que fazemos, das pessoas com quem trocamos experiências e que agregarão valores positivos àqueles que já aprendemos a cultuar. Na estrada, na trilha, nos rios ou nos mares, viajar é a melhor forma de se inspirar e desenvolver a criatividade enquanto nos divertimos. A ânsia de chegar ao destino é fundamental, pois ela demonstra que soubemos definir um objetivo a atingir. Controlá-la é saber aproveitar o caminho e curtir a vida. Para viajar também não é preciso muito dinheiro, como muitas pessoas alegam. O navegador brasileiro Amir Klink já disse que “Pior que não terminar uma viagem é nunca partir.”. Estar aberto aos novos horizontes que as viagens nos descortinam, mesmo que estas viagens tenham sido feitas através da leitura ou do diálogo inspirador com outras pessoas, é o que conta.

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