A ocupação do plenário da Câmara na semana passada por funcionários da Prefeitura insatisfeitos com a aprovação de um projeto de lei que limita o valor das chamadas requisições de pequeno valor (RPVs) é mais uma prova das várias araucárias existentes hoje em nossa cidade.

Há aqui a Araucária dos sindicatos, que brigam e brigam por direitos que têm a certeza que lhes pertencem, que veem em toda medida do governo uma ação direta contra a classe estatutária.

Por outra banda, existe a Araucária governamental, aquela que parece já ter chegado sozinha à conclusão do que precisa ser feito, que não acredita muito no diálogo verdadeiro com os outros atores da nossa sociedade e que, por isso, segue com seu plano independentemente do que os outros vão dizer, mas que no fundo ainda não tem uma real convicção de que essa estratégia vai dar certo lá na frente

Há ainda a Araucária legislativa, composta por onze vereadores meio perdidos, com uma imensa responsabilidade e poderes que eles não sabem como usar direito, cada vez mais distantes dos interesses reais da cidade de Araucária e que, por isso, volta e meia fazem papelão diante da opinião pública.

Por sua vez, existe aqui a opinião pública, que não anda lá muito interessada em analisar aquilo que lhes é apresentado, o que faz com que acabe comendo toda e qualquer informação com farinha e que, em razão da falta de crédito da classe política, adota como critério ser contra tudo o que os políticos apresentam.

Da mesma forma, temos também a típica oposição araucariense, totalmente perdida, sem um ideário claro, que tenta ter alguma relevância, mas no fundo quer apenas uma tetinha para mamar.

Nesta bagunça toda é possível ver também a Araucária do controle social. Igualmente perdida, sem força, com poucos integrantes realmente esclarecidos do papel que a legislação lhe atribuiu e que, por isso, não sabe o que fazer quando está em cena.

À margem de tudo isso temos ainda a Araucária do cidadão comum, que na prática nem cidadão é, já que não participa do dia a dia da cidade. E não participa porque não lhe é dado oportunidade e nem porque tem ele interesse em buscar tal oportunidade. E é esta a Araucária mais triste dentre todas as Araucárias que existem hoje por estas bandas. Isto porque é para melhorar esta cidade que deveríamos efetivamente estar trabalhando. É nesta cidade que estão os trabalhadores desempregados. As crianças sem educação de qualidade. As mães, pais e filhos sem acesso à rede de saúde.

Enfim, é nesta Araucária que estão as pessoas que precisam de oportunidades e para a qual o Estado deveria estar voltado. Estado este que, infelizmente, só vai conseguir entregar estas oportunidades quando todos os seus atores começarem a falar a mesma língua, algo que hoje parece bem improvável. Uma pena!

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