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Artistas sofrem com pandemia e aguardam medidas para amenizar a crise


Em tempos de pandemia, os decretos para conter a transmissão da Covid-19 atingiram diretamente o setor cultural. Artistas, cantores, professores de arte e demais pessoas ligadas ao setor, foram os primeiros a serem atingidos, com cancelamentos de shows, peças teatrais, eventos e todas as manifestações artísticas que necessitam de público. Como pontua a pedagoga e escritora Jacqueline Carteri, que sempre esteve presente em todos os grandes momentos da cultura araucariense, “a classe artística foi a primeira a parar e será a última a retornar”. Segundo ela, desde que a crise pandêmica começou, não teve nenhum momento de flexibilização, o setor está realmente parado há mais de quatro meses.

Uma esperança que surgiu nesse túnel escuro, foi a aprovação da Lei Federal 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc, que tem como objetivo central estabelecer ajuda emergencial para artistas, coletivos e empresas que atuam no setor cultural e atravessam dificuldades financeiras durante a pandemia. A lei assegura que todos os municípios brasileiros deverão receber R$1,5 bilhão, para serem distribuídos em ações como renda emergencial aos trabalhadores da Cultura. Em Araucária, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo disse que está realizando reuniões internas com sua equipe para estudos sobre a Lei Aldir Blanc, para que a aplicação dos valores propostos atenda toda a classe artística e espaços artísticos e culturais, sem nenhuma distinção. Entretanto, a SMCT esclareceu que para que os valores cheguem aos seus destinatários, a Lei ainda necessita de regulamentação federal. E assim que for publicada a regulamentação, a secretaria entrará em contato com a sociedade civil para definir ações em conjunto. Enquanto isso não acontece, a classe artística vem se virando como pode, para vencer a crise. Acompanhe depoimentos de artistas da cidade e conheça o que pensam.

Vaquinha virtual

A Casa Eliseu Voronkoff, como qualquer outro espaço artístico, quer continuar mantendo suas atividades, mas infelizmente, em tempos de pandemia, o trabalho lindo está ameaçado, pela diminuição de alunos e manutenção do espaço e dos professores. Então, quem puder ajudar, está rolando uma vaquinha virtual no link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/casa-eliseu-resiste

Texto: Maurenn Bernardo

Foto: Marco Charneski, Leandro Kindermann e divulgação

Wesley Bachega

Cantor

“Meu último show foi no dia 12 de março. De repente, da noite pro dia, tive 16 shows cancelados, sem nenhuma previsão de novas datas. Foi um choque, mas não me deixei abalar. Imediatamente já comecei a pensar em encontrar uma nova forma de gerar renda, porque minha família depende de mim. Abri uma empresa de coletas e entregas, e tem dado muito certo. Muitos amigos e conhecidos estão me ajudando, contratando meus serviços. A falta de shows me aborrece bastante, mas não podemos ficar de braços cruzados, esperando tudo voltar ao normal, porque não sabemos quando isso vai passar. Fiz algumas lives nesse período de pandemia, e no dia 8 de agosto farei mais uma, pelo meu canal do youtube (youtube.com/wesleybachega2016). Mas não podemos esquecer que a profissão do artista é incerta, por isso temos que nos reinventar quando as crises nos pegam de surpresa. Hoje posso afirmar que Wesley Bachega deixou os palcos, temporiamente, para ganhar a vida em cima de duas rodas”.

Jacqueline Carteri

Pedagoga e escritora

“São milhares de profissionais que contribuem com a cultura do país, fazendo o que de melhor sabem, trabalhar em prol da arte. Todos esses profissionais entre artesãos, artistas de rua, atores, artistas plásticos, cineastas, figurinistas, roteiristas, dançarinos, bailarinos, músicos, cantores, palhaços, artistas, entre outros, foram prejudicados com a pandemia, o isolamento social necessário e a paralisação de suas atividades. Uma lei foi aprovada, mas é morosa e ninguém garante que seja justa. Por tudo isso, me solidarizo com essas pessoas, e luto junto com elas para que os recursos que estão vindo do governo federal sejam corretamente aplicados. Peço respeito a toda classe, pois infelizmente as pessoas esquecem que aqueles que fazem ‘diversão e arte’ também precisam de ‘comida’, e parafraseando Titãs, ninguém lhes pergunta: ‘Você tem fome de quê?’”

Maicon Silvério da Silva

Professor de teatro

“Tenho um segundo trabalho e estou conseguindo manter minha vida financeira nesse momento de crise, mas meu desejo era continuar dando minhas aulas de teatro, que tanto amo, e conseguir viver da minha arte. Dou aulas na Casa Eliseu Voronkoff, um ambiente que estava em pleno crescimento e ganhando importância no setor cultural paranaense. Com a pandemia, tivemos uma grande perda de alunos, que desistiram por causa da parte financeira ou por não conseguirem acompanhar as aulas online. Minha turma, por exemplo, reduziu em 50%. Na Casa Eliseu ainda somos privilegiados, pois estamos conseguindo manter algumas atividades. Mas tenho muitos colegas artistas aqui de Araucária que não estão conseguindo sobreviver. Por eles e por toda a classe, aguardamos ansiosamente pela aplicação da Lei emergencial Aldir Blanc, para que o espaço Casa Eliseu e todos os artistas possam se manter até tudo isso passar”

Maria Aparecida Rolim Silva

Atriz

“Como muitos artistas optei por construir família, e tive que desenvolver paralelamente uma atividade ou profissão que me assegurasse o mínimo para sustentá-los. Mas amo a arte, e como artista, entendo as dificuldades que nossa classe enfrenta, principalmente nessa pandemia, quando todos os eventos artísticos foram suspensos. No início foi muito difícil. O isolamento foi causador de ansiedade, depressão pra muita gente. Depois, vendo que não tinha outra saída, fui entendendo e aceitando que tínhamos que reformular o jeito de praticar nossa arte. Sou integrante da Companhia de Teatro da Biblioteca Pública do Paraná e após a primeira reunião para iniciar o processo que resultaria num trabalho de palco, entramos em quarentena. Não cancelamos, mas tivemos que modificar a proposta para poder continuar. Lamentavelmente nenhum artista recebeu nada do poder público até aqui, até porque ainda não sabemos como serão aplicados os recursos da Lei Aldir Blanc. Essa Lei Federal deveria garantir renda emergencial aos trabalhadores do setor cultural e oferecer subsídios para manutenção dos espaços culturais. Precisamos de agilidade e solução urgente!”

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