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Aulas presenciais não podem voltar sem segurança para trabalhadores e estudantes


As instituições privadas de ensino vêm pressionando os governos para que as aulas presenciais voltem, mesmo enquanto a pandemia ainda não passou e sem que haja vacina para a Covid-19. Em Araucária, ainda não há uma previsão de volta às aulas. Mas, desde já, o SISMMAR reforça que é contrário ao retorno das aulas enquanto ainda houver pandemia.

É inaceitável que governos coloquem a vida dos profissionais da Educação, dos funcionários de escolas e dos estudantes em risco. Antes de decidir sobre o retorno, é essencial que os trabalhadores se sintam seguros para trabalhar, e as famílias seguras para deixar seus filhos nas escolas.

Em São Paulo, estado com mais de 21 mil mortos por Covid-19, o governador João Doria estima que as aulas presenciais voltem no dia 8 de setembro. Em resposta ao ataque do governo, que não dialogou com a categoria, professores da rede pública estadual de São Paulo organizaram, nesta quarta-feira (29), uma carreata contra a decisão.

Um dia antes, na terça-feira (28), o governador do Amazonas, Wilson Lima, também anunciou a retomada das aulas presenciais. Conforme o anúncio de Lima, as aulas voltam a partir do dia 10 de agosto no estado. O Amazonas tem mais de 98 mil infectados pelo coronavírus e registrou 1.039 novos casos de Covid-19 no mesmo dia em que o governador anunciou a volta às aulas.

Assim como Doria e Lima, diversos outros governadores já articulam o retorno das aulas sem debater com os profissionais da Educação Pública e os pais dos alunos, que se sentem inseguros. Essa é uma clara amostra do desrespeito à vida dos trabalhadores das redes públicas, dos estudantes e de seus familiares.

No Paraná, as aulas seguem suspensas até o dia 31 de agosto. Mas, o desprefeito de Curitiba, Rafael Greca, e a Secretaria Municipal de Educação já estão dando andamento à escrita de uma instrução normativa com orientações para o retorno das aulas presenciais “assim que possível” na capital. Será que Greca vai fazer com as escolas o mesmo que fez com as academias ao permitir a reabertura antecipada?

Os políticos alegam que o retorno das aulas ocorrerá de forma gradual e com a utilização de máscaras e álcool em gel. Isso demonstra a falta de conhecimento que esses governantes têm sobre a realidade da Educação Pública. Como garantir que as crianças cumpram o distanciamento social e os protocolos de higiene nas unidades educacionais?

Os governadores precisam ser democráticos e dialogar com os profissionais da Educação Pública, ao invés de acatar os pedidos das grandes empresas de ensino privado. Essas empresas estão claramente mais preocupadas com o dinheiro que estão deixando de ganhar durante a pandemia do que com a vida dos professores, estudantes e familiares. Educação não é mercadoria!

O SISMMAR segue em defesa da vida e contra o retorno das aulas enquanto a pandemia não acabar e enquanto não houver vacina para Covid-19!

Publicado na edição 1223 – 30/07/2020

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